Congresso Internacional de Transição Justa conecta Sul e Nordeste em debate sobre futuro do carvão mineral e metano

Encontro em Porto Alegre, com programação simultânea em Fortaleza, reúne pesquisadores, comunidades atingidas e especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir saúde, emprego e alternativas para regiões dependentes de combustíveis fósseis

O futuro das regiões brasileiras que ainda dependem economicamente dos combustíveis fósseis e que sofrem com os impactos ao meio ambiente e a saúde pública estará em debate no 2º Congresso Internacional Transição Justa: Obsolescência do Carvão Mineral e Metano – Saúde e Meio Ambiente em Territórios Fósseis, que será realizado de 25 a 27 de novembro, com programação presencial em Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE).

Promovido pelo Instituto Internacional ARAYARA, por meio do Observatório do Carvão Mineral e da COESUS (Coalizão Não Fracking Brasil) o encontro reunirá pesquisadores, especialistas brasileiros e estrangeiros, moradores de áreas afetadas pela mineração e termelétricas, povos indígenas e movimentos sociais para discutir um desafio que já se apresenta a diferentes regiões do país: como reduzir a dependência dos combustíveis fósseis sem abandonar trabalhadores e municípios vinculados a essas atividades?

No sul, a questão passa diretamente pelo futuro das regiões carboníferas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e Paraná, onde a cadeia do carvão mineral tem peso histórico na economia e no emprego, ao mesmo tempo em que seus efeitos sobre o clima, o meio ambiente e a saúde pública são alvo de estudos e questionamentos.

A conexão com Fortaleza amplia o alcance da discussão para o Nordeste, região que ganhou protagonismo na expansão das fontes renováveis e também convive com o incremento de petróleo, gás e carvão em sua matriz energética.  

“Não existe transição justa se o país simplesmente trocar uma fonte de energia por outra e deixar trabalhadores e comunidades com os passivos econômicos, sociais e ambientais. A pergunta não é apenas quando o carvão vai sair da matriz, mas como esses territórios estarão preparados para viver depois dele”, afirma Juliano Bueno, presidente do Instituto Internacional ARAYARA e fundador do Observatório do Carvão Mineral.

Candiota: carvão e saúde no centro da discussão

Um dos destaques da programação será a situação de Candiota, no Rio Grande do Sul, um dos principais polos carboníferos brasileiros.

A pesquisadora Juliana da Silva, professora da Universidade La Salle e orientadora do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da UFRGS, apresentará estudos relacionados à mutagênese ambiental e ao monitoramento no território carbonífero de Candiota, abordando possíveis riscos à saúde humana associados à exploração e à queima do mineral.

Coordenadora do Laboratório de Genética Toxicológica da UniLaSalle e ex-presidente da Associação Brasileira de Mutagênese e Genômica Ambiental (MUTAGEN-Brasil), Juliana discutirá a necessidade de incorporar ciência, saúde pública e monitoramento ambiental às decisões sobre o futuro dessas regiões.

A realidade de Santa Catarina também estará em pauta. O professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina, Paulo Antunes Horta, abordará a emergência climática e os desafios relacionados à continuidade da exploração e da queima do carvão na região carbonífera catarinense até 2040/2050.

O que é viver em uma “zona de sacrifício”?

Além dos pesquisadores, quem vive diretamente os efeitos da mineração terá voz no Congresso.

O painel “O que é viver em uma Zona de Sacrifício Ambiental em Regiões Carboníferas na América Latina?” reunirá moradores, lideranças indígenas e movimentos sociais para discutir como decisões tomadas no setor energético repercutem no cotidiano das comunidades.

Participam Matheus Barros Rodrigues, morador e líder comunitário de Arroio dos Ratos, na Região Carbonífera do Baixo Jacuí; o cacique Santiago Franco, da Tekoá Yvy Poty (Aldeia Flor da Terra), da comunidade Mbyá Guarani e Iara Reis, dirigente nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), cientista social, pedagoga e pesquisadora bolsista da Fiocruz.

Também está confirmada a participação internacional da ativista chilena Cristina Ruiz, do coletivo “Mujeres en Zona de Sacrificio en Resistencia Puchuncaví”, trazendo a experiência de comunidades afetadas por atividades industriais altamente poluentes no Chile.

A comunidade Mbyá Guarani fará ainda a apresentação cultural de abertura do Congresso, às 9h do dia 25 em Porto Alegre.

Cenário internacional e os desafios para o Brasil

A programação contará com Gregor Clark, gerente de Projetos de Monitoramento de Energia para a América Latina do Global Energy Monitor (GEM).

Clark apresentará o Boom and Bust Coal 2026, levantamento internacional sobre a evolução da geração de energia a carvão, e analisará os desafios colocados ao Brasil diante das mudanças em curso no setor energético mundial.

Na abertura, Juliano Bueno apresentará a palestra “Brasil na contramão do clima: a conta bilionária do carvão e o risco de uma regressão energética através da aprovação de políticas de transição sem a inclusão dos trabalhadores”.

O Congresso pretende aproximar duas discussões que nem sempre avançam juntas: a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis e a urgência de preparar economicamente os municípios e trabalhadores que hoje dependem dessas cadeias.

“Os territórios não podem ser os últimos a saber e os primeiros a pagar pela transição. Quem vive nas regiões afetadas precisa participar das decisões sobre emprego, diversificação econômica, recuperação ambiental, saúde e futuro”, afirma John Wurdig, gerente de Transição Energética das Regiões Carboníferas da ARAYARA.

Nas tardes dos dias 25 e 26 de novembro, serão apresentados os trabalhos acadêmicos inscritos no Congresso, com transmissão on-line pelo canal da ARAYARA no YouTube. As pesquisas integrarão posteriormente os arquivos documentais do encontro.

Porto Alegre e Fortaleza conectadas


No dia 26, a programação terá atividades no Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados da UFRGS, em Porto Alegre, conectadas à programação realizada em Fortaleza.

A articulação entre as duas cidades busca aproximar diferentes desafios da política energética brasileira. Enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina enfrentam a dependência histórica de regiões ligadas ao carvão, o Nordeste vive uma rápida expansão das fontes renováveis, acompanhada pelo avanço de novos empreendimentos de grande consumo de eletricidade.

No Ceará, essa discussão ganhou uma dimensão particular com a corrida pela instalação de data centers no Complexo do Pecém. Os investimentos bilionários projetados para o setor colocam o estado na rota internacional da infraestrutura digital, mas também levantam questões sobre demanda de energia, uso da água, expansão da rede elétrica, licenciamento ambiental e impactos sobre comunidades.

A proposta do Congresso Transição Justa é justamente colocar diferentes realidades brasileiras em diálogo e discutir como políticas de energia e desenvolvimento podem incorporar proteção social, saúde, clima e participação das populações afetadas.

Congresso termina entrega de carta para Governadores das Regiões Carboníferas e Presidente da República 

No encerramento do evento será aprovada a carta do 2º Congresso Internacional Transição Justa que será entregue aos futuros governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Ceará, além da Presidência da República.

O documento reunirá propostas discutidas durante os três dias e buscará colocar na agenda dos governos que assumirão em 2027 compromissos relacionados à saúde, proteção ambiental, geração de trabalho e renda, recuperação de áreas impactadas e criação de alternativas econômicas para regiões dependentes dos combustíveis fósseis.

Confira a programação completa em: https://transicaojusta.arayara.org/

SERVIÇO

Evento: 2º Congresso Internacional Transição Justa: Obsolescência do Carvão Mineral e Metano – Saúde e Meio Ambiente em Territórios Fósseis

Site do evento: https://transicaojusta.arayara.org/ 

Contato: John Wurdig – Engenheiro Ambiental 

john.wurdig@arayara.org

61 – 998271239

Data: 25, 26 e 27 de novembro de 2026

Programação:

25/11 – Porto Alegre
Centro Cultural da UFRGS
Rua Eng. Luiz Englert, 333 – Farroupilha
Abertura: 9h
Apresentação de trabalhos acadêmicos: 14h às 18h (online)

26/11 – Porto Alegre

Atividades no Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados da UFRGS, onde será exibida a mesa de debate realizada em Fortaleza
A partir das 9h
Apresentação de trabalhos acadêmicos: 14h às 18h (online)

25/11 – Fortaleza/CE
Transmissão da mesa abertura do 2º Congresso Internacional Transição Justa:  Obsolescência do Carvão Mineral e Metano – Saúde e Meio Ambiente em Territórios Fósseis realizada em Porto Alegre/RS

26/11 – Fortaleza/CE
Mesa de abertura do Congresso em Fortaleza 

Local: Auditório do Centro de Ciências – Reitor Ícaro de Sousa Moreira – Universidade Federal do Ceará 

Enquire here

Give us a call or fill in the form below and we'll contact you. We endeavor to answer all inquiries within 24 hours on business days.