Povos indígenas reunidos em Brasília debatem impactos do FRACKING

Reunidos em Brasília entre 7 e 8 de Junho, lideranças do diversas etnias e povos indígenas poderão conhecer os impactos do Fracking para as floretas, reservas de água e para a produção de alimentos.

Kretã Kaingang, líder indígena que vive no Paraná e integra a direção da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, fará uma oficina sobre o Fracking para conscientizar e mobilizar para a luta contra os combustíveis fósseis.

Membro da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – Cretã também é voluntário da 350.org Brasil na luta contra o fraturamento hidráulico.

“Entendemos extremamente necessário fazer parte desses processos, como uma forma de preservar os nossos territórios dos impactos imprevisíveis para os nossos povos, o planeta e a humanidade”, afirma Cretã.

A agenda de palestras e oficinas contra o Fracking em terras indígenas prossegue com ações no Paraná no próximo dia 10 de junho em Laranjinha, no munícipio de Santa Amélia, e Posto Velho, em Abatia. As oficinas contarão com a participação de vereadores indígenas dos dois municípios.

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XII Acampamento Terra Livre. Foto: Rubens Lopes

 

O que é Fracking

Fraturamento hidráulico, ou FRACKING, é uma tecnologia altamente poluente que o governo brasileiro quer utilizar para explorar o gás de xisto nas floretas, áreas produtivas, reservas ambientais e terras indígenas e comunidades tradicionais. Ao provocar severos e irreversíveis danos ao ambiente com contaminação da água, solo e ar e doenças como câncer, o Fracking ameaça toda a sociedade, especialmente os povos indígenas que vivem em todos os cantos do Brasil.

Isto porque a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) insiste em fazer testes e buscar novas reservas de gás de xisto para ofertar blocos em leilões. Em 2013, a ANP vendeu o subsolo onde estão importantes territórios indígenas, do Acre, Amazônia e Rondônia, passando pelo Ceará até o Sul do Brasil, no Paraná.

 

Acampamento Terra Livre

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Em maio, Cretã kaingang participou no Distrito Federal do XII Acampamento Terra Livre, que reuniu indígenas de todo país para cobrarem das diferentes instâncias de poder, as garantias de direitos.

A pauta de reivindicação dos povos indígenas é extensa. A que recebe maior resistência é em relação à Proposta de Emenda à Constituição 215, que transfere do poder executivo para o Congresso Nacional a palavra final sobre o processo de demarcação de terras no país.

A luta contra a exploração de petróleo e gás de xisto nos territórios indígenas também está entre as prioridades. Leia o manifesto aprovado no XII Acampamento Terra Livre.

 

 

 

Manifesto do XII Acampamento Terra Livre

Nós, cerca de 1.000 lideranças dos povos e organizações indígenas de todas as regiões do Brasil, reunidos em Brasília (DF) por ocasião do XII Acampamento Terra Livre? A maior mobilização nacional que realizamos há mais de 12 anos para reivindicar do Estado e da sociedade brasileira o respeito total aos nossos direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição Federal? Preocupados com os ataques, ameaças e retrocessos orquestrados contra esses direitos sob comando de representantes do poder econômico nos distintos âmbitos do Estado, nos meios de comunicação e nos nossos próprios territórios, viemos de público manifestar:

O nosso repúdio às distintas ações marcadamente racistas, preconceituosas e discriminatórias protagonizadas principalmente por membros da bancada ruralista no Congresso Nacional contra os nossos povos, ao mesmo tempo em que apresentam e articulam-se para aprovar inúmeras iniciativas legislativas, propostas de emenda constitucional e projetos de lei para retroceder ou suprimir os nossos direitos.

O ataque praticado contra a Democracia nos últimos dias, que culminou com o afastamento temporário da presidente Dilma, demonstrou a força conjugada dos poderes econômicos e políticos que, desde os tempos da invasão europeia, dominam e exploram as maiorias empobrecidas do nosso país, as distintas coletividades étnicas e principalmente os nossos povos e comunidades, em razão da sua vontade de explorar as nossas terras e territórios e bens naturais que milenarmente soubemos proteger.

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A nossa preocupação aumenta diante da instalação de um novo governo que a maioria dos setores sociais e populares, como nós, considera ilegítimo e cuja composição é notadamente conservadora e reacionária, além de ser ajustada aos interesses privados que assaltaram o Estado e que ameaçam regredir os direitos sociais conquistados e, em nome da ordem e do progresso, pretendem aprovar medidas administrativas, jurídicas e legislativas para invadir mais uma vez os nossos territórios com grandes empreendimentos: mineração, agronegócio, hidrelétricas, FRACKING, portos, rodovias e ferrovias, entre outros.

Se nossos direitos foram sistematicamente atacados no governo que sai, com esse atual governo as ameaças e ataques podem aumentar.

Em razão de tudo isso, os nossos povos e organizações declaram publicamente a sua determinação de jamais desistir da defesa de seus direitos constitucionalmente garantidos, manifestando ao Governo Temer que não permitiremos retrocessos de nenhum tipo. Continuaremos empenhados e mobilizados em luta pela efetivação dos nossos direitos.

 

Pelo nosso direito de viver!

Brasília  DF, 12 de maio de 2016
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
APIB Mobilização Nacional Indígena

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