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Parceria entre a 350.org e grupo de caminhada leva a luta contra o Fracking a comunidades no interior do Paraná.

 

O Programa Indígena da 350.org Brasil realizou uma oficina de capacitação com membros do Grupo de Andarilhos Pé na Estrada sobre os perigos da atividade do Fracking e os impactos decorrentes das mudanças climáticas em todo o planeta. O grupo, que se reúne uma vez por semana para caminhar uma média de 12 a 13km em regiões rurais no entorno da capital paranaense, se mostrou extremamente sensibilizado e preocupado com a ameaça da contaminação dos aquíferos e do solo, não somente no estado como em diversas regiões do país.

Segundo Kretã Kaingang, líder indígena membro da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – e coordenador do Programa Indígena da 350.org, essa parceria surgiu a partir do incentivo do prefeito de São José dos Pinhais (PR), Luiz Carlos Setim (DEM), a projetos sustentáveis e que beneficiassem as comunidades indígenas do município.

Pé na Estrada

“Ele nos deu apoio para abrir nossas aldeias à prática do etnoturismo, por exemplo. Foi aí que o grupo Pé na Estrada apareceu pela primeira vez na minha aldeia, a Tupã Nhe’é Kretã. Aproveitando a ocasião e vendo neles o interesse pela preservação do meio ambiente e um potencial de multiplicadores, convidei-os a participar de uma oficina sobre o Fracking”, contou Kretã.

O grupo realiza periodicamente caminhadas em comunidades no interior do estado. No próximo dia 20 de agosto haverá uma caminhada de 5 km. Durante o passeio eles vão passar um dia na aldeia, quando haverá capacitação para mais membros. “A ideia é que eles levem a bandeira contra o Fracking para todos os lugares onde passem. No país existem mais de 20 grupos de caminhada, esse foi só o primeiro. Pretendemos capacitar todos eles para que possam levar informações sobre as ameaças do Fracking a todo o Brasil”, reforçou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, e uma das ministrantes da oficina.

Para Eline Scheffer, integrante do grupo, a capacitação foi muito esclarecedora e importante para abrir os olhos sobre o perigo dessa atividade, mas também foi preocupante. “Ficamos muito chocados com a possibilidade de que tudo que gostamos de fazer esteja ameaçado. Precisamos preservar os lugares onde caminhamos, as comunidades das quais compramos nosso alimento, porque isso está diretamente ligado à nossa própria sobrevivência”, afirmou a ativista.

 

Histórico de militância

Kretã Kaingang, líder indígena que vive no Paraná e integra a direção da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), está engajado há alguns anos e já ofereceu uma série de oficinas sobre o Fracking para informar e mobilizar outros indígenas na luta contra os combustíveis fósseis.

 

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“Entendemos o Fracking como uma ameaça concreta a nossos territórios e nosso modo de vida. Por isso é extremamente necessário participar dos processos de conscientização das comunidades e orientar a cobrança das autoridades para que não permitam o avanço desse mal”, defende Kretã.

A agenda de palestras e oficinas contra o Fracking para populações indígenas inclui ações em diversas regiões do Brasil. No Paraná, já foram palco de atividades as terras indígenas Laranjinha, no município de Santa Amélia, e Posto Velho, em Abatia. As oficinas contaram com a participação de vereadores indígenas de ambos os municípios.

 

Os impactos do Fracking

A atividade do fraturamento hidráulico, mais conhecida como Fracking, é uma tecnologia altamente poluente que o governo brasileiro quer utilizar para explorar o gás de xisto em regiões que abrangem áreas de floretas, produtivas, unidades de conservação e terras indígenas, atingindo diretamente diversas comunidades tradicionais. Ao provocar severos e irreversíveis danos ao ambiente com contaminação da água, solo e ar e doenças como câncer, o Fracking ameaça toda a sociedade, especialmente os povos indígenas que vivem em todos os cantos do Brasil.

Em 2013, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ofertou em leilão blocos para exploração de gás de xisto localizados em territórios indígenas nos estados do Acre, Amazônia e Rondônia, passando pelo Ceará até o Sul do Brasil, no Paraná.

 

 

Por Nathália Clark

Fotos: COESUS/350Brasil

 

 

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