Coalizão conquista apoio de vários países para ação global em solidariedade à luta contra o fracking no Brasil

No dia 4 de Outubro acontecerão ações em vários países para demostrar a solidariedade internacional à luta contra o fracking no Brasil (International solidarity action for the fight against Fracking in Brasil).

Neste dia, um domingo, ativistas e opositores ao fracking de diversas partes do mundo participarão de múltiplas ações para demonstrar solidariedade à campanha brasileira contra a tecnologia do faturamento hidráulico, chamado fracking, que ameaça chegar ao país para a exploração do gás do folhelho pirobetuminoso do xisto.

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O engajamento e o apoio internacional foram consolidados pela Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil – e a 350.org Brasil durante participação na ‘Frackanpada’, evento que reuniu em julho milhares de ativistas do NO FRACKING (FRACKATVISM) e do Movimento Climático de todo o mundo no País Basco, na Espanha.

O coordenador nacional da Coesus, engenheiro Juliano Bueno de Araujo, esteve na Espanha e contatou ativistas dos países onde há operações de fracking, e de outros que já o baniram, confirmando o apoio à campanha Não Fracking Brasil. Entre os países que são impactados pelo fracking e que aderiram de imediato a ação internacional estão Estado Unidos, Canadá, Espanha, Inglaterra, Argentina, Bulgária, Bélgica, Uruguai, Colômbia, Bolívia e Peru, entre outros.

“A ‘Frackanpada’ foi um momento único para fortalecer a aliança internacional contra o fracking, conhecer a realidade de cada país impactado, trocar experiências e definir estratégias de luta. Estamos organizados globalmente e vamos lutar para impedir que a indústria do fracking prospere”, afirmou Juliano.

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Entre as decisões do encontro, a principal é pressionar os governos a retirem as permissões do uso dessa tecnologia que está contaminando a água da superfície e lençóis freáticos, ar e solo, dizimando florestas e etnias pelo mundo e deixando um rastro de destruição permanente e irreversível.

Ameaça

No Brasil, a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) abriu as portas para as empresas de petróleo e gás para operações de fracking do país sem consultar a sociedade. Em 7 de outubro, a ANP realiza um leilão para vender novos blocos para a exploração por fracking localizados sobre os principais aquíferos, terras indígenas, fazendas e casas, santuários ecológicos e áreas de floresta.

“O governo brasileiro mente para a população dizendo que não há nenhuma revolta contra fracking em outros países. Vamos mostrar-lhes que estamos lutando contra isso, que estamos em todos os lugares e não queremos fracking aqui”, ressaltou Juliano.

Contaminação

Fracking, ou faturamento hidráulico, é uma tecnologia desenvolvida para a extração do gás do folhelho pirobetuminoso do xisto, através da perfuração profunda do solo para inserir uma tubulação por onde é injetada de 7 a 15 milhões de litros de água e mais de 600 solventes químicos. Deste total, depois de contaminar o subterrâneo, entre 8% a 25% da água contaminada com os resíduos tóxicos retorna à superfície e é armazenada em ‘piscinas’ a céu aberto.

Nos locais onde o fracking foi adotado, já há dezenas de estudos que comprovam a escassez e contaminação da água, infertilidade do solo e poluição do ar, bem como severos danos à saúde dos moradores, dos funcionários das empresas exploradoras e de toda a biodiversidade no entorno dos poços, num raio de 800 quilômetros. Os impactos estão intensificando as mudanças climáticas, favorecendo seca, enchentes, tufões e já estão relacionados a terremotos.

Assim como em diversas partes do mundo, no Brasil também cresce a oposição ao fracking. “Já conseguimos em 2014 vitórias importantes ao mobilizarmos mais de 100 mil pessoas contra o fracking em duas cidades do Paraná e ao suspender judicialmente os efeitos do leilão de blocos da 12ª rodada feita pelo governo brasileiro. Agora, vamos intensificar a campanha para impedir e judicializar o leilão da 13ª rodada previsto para 7 de outubro, como fizemos com a 12ª”, destacou Juliano.

Outras informações sobre o Dia de Solidariedade Internacional à luta contra o Fracking no Brasil e como participar da Campanha Não Fracking Brasil podem ser acessadas no site:

http://world.350.org/fracking-brasil/

 

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