350.org Brasil e COESUS realizam ações contra o fracking na América Latina

A campanha contra o fraturamento hidráulico, chamado fracking, na América Latina está sendo intensificada pela 350.org Brasil, parceira da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil – e entidades que integram o movimento climático sul-americano.

Misión_nofracking

Durante toda esta semana, Nicole Figueiredo do Oliveira, diretora da 350.org Brasil, e Juliano Bueno de Araujo, fundador da COESUS, realizam em Buenos Aires e na província de Neuquén uma extensa agenda de visitas e reuniões para troca de experiência sobre os impactos do fracking, especialmente nas comunidades Mapuches e regiões de fruticultura.

Argentina

Na comitiva da Misión NO FRACKING LATINOAMERICA estão deputados paranaenses, vereadores e representante do Poder Executivo de Toledo, cidade do Paraná onde há ameaça real de acontecer fracking. O governo brasileiro leiloou em 2013 blocos para exploração de gás de xisto  em Toledo, 1º PIB agropecuário do Estado, com grande performance na produção de suínos, aves e de grãos. Na região Sudoeste estão os aquíferos Guarani e Serra Geral, principais reservas naturais que abastecem mais de 4 milhões de paranaenses.

O grupo será recebido no Congresso Federal argentino pelo senador Fernando Solanas, uma das principais vozes daquele país no combate ao método, e participará de várias reuniões, juntamente com representantes do Uruguai e do Chile, para tratar do assunto e da criação de uma Frente Parlamentar ou Fórum da América Latina contra o fracking.

misión argentina
A agenda começou na casa do Senador Fernando Solanas, em Buenos Aires, com lideranças do movimento NO FRACKING da América Latina, entre eles Juan Pablo Olsson (à esquerda), Juliano Bueno de Araujo, Senador Fernando Solanas e Nicole Figueiredo de Oliveira.

A missão paranaense será integrada pelos deputados estaduais Rasca Rodrigues (PV), autor de duas proposições que tramitam no Legislativo estadual disciplinando o tema, Márcio Nunes (PSC), Schiavinato (PP) e Fernando Scanavaca (PDT). Na segunda etapa da missão, entre os dias 5 e 7, os deputados visitarão as províncias de Neuquén e Rio Negro, onde já há exploração e produção de gás natural pelo método. Em Neuquén, além da visita aos poços perfurados, os deputados se reunirão com lideranças indígenas Mapuches que foram afetadas pelo fraturamento na cidade de Añelo, e com agricultores.

 

 

O que é fracking

Fracking é um método altamente poluente para extrair do subsolo o gás da rocha de xisto através de milhões de litros de água introduzidos sob alta pressão com areia e um coquetel de substâncias químicas tóxicas e cancerígenas para ‘fraturar’ a rocha e liberar o gás.

Nicole_buenosaires
Durante a estada na capital portenha, Nicole Figueiredo de Oliveira participa ainda do encontro Latino Americano para uma agenda comum sobre Alternativas ao Extrativismo, quando abordará as mudanças climáticas e o desinvestimento do hidrocarboneto.

Além de contaminar a água na superfície, tornar o solo infértil e poluir o ar, fracking também afeta o lençol freático e aquíferos e a saúde das pessoas e animais. Já relacionado a terremotos, a técnica libera o gás metano que contribui para as mudanças climáticas por ter 86 vezes mais potencial como gás de efeito estufa que o CO².

Para a diretora da 350.org Brasil, Nicole Figueiredo de Oliveira, “estamos consolidando na América Latina o movimento climático que irá reunir as frentes contrárias à indústria fracking. Essa mobilização se fará presente em Paris, na COP21 , onde estaremos mostrando ao mundo que estamos organizados e vamos impedir o avanço da indústria do hidrocarboneto”.

Amazônia

Outra ação realizada pela 350.org Brasil e COESUS aconteceu no último final de semana, levando informação sobre os perigos do fracking às populações a serem atingidas na teriam Norte do Brasil.

Integrantes da campanha Não Fracking Brasil e parceiros participaram da Conferência Nacional sobre os Povos Indígenas na cidade de Atalaia do Norte, localizada no extremo Oeste do Amazônia, no Vale do Javari. Ali, representantes de povos originários do Brasil, Colômbia e Peru receberam informações sobre a decisão do governo brasileiro em permitir exploração por fracking das jazidas de xisto e definiram estratégias para impedir que isso aconteça.

Além de impactar as comunidades indígenas, fazer fracking nos estados do Acre, Rondônia e Amazonas representa uma ameaça a todos os habitantes da região Norte do país.

Em outubro, a 350.org Brasil e COESUS realizaram um protesto na durante a realização de uma nova rodada de licitações que teve grande repercussão internacional e nacional.

Ação Civil Pública

Com a participação direta da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil, 350.org Brasil e Fundação Cooperlivre Arayara, o Ministério Público Federal do Acre ajuizou em Cruzeiro do Sul uma ação civil pública pedindo a anulação de todo o processo de licitação e consequente outorga de contrato para a exploração e produção de petróleo e gás natural referentes ao lote AC-T-8, que engloba terras na região do Vale do Uruá entre os estados do Acre e Amazonas. O lote foi leiloado em 2013 durante a 12ª Rodada da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP). Leia matéria sobre a iniciativa do MPF Acre.

A ação foi ajuizada contra a União, IBAMA, (ANP) e Petrobras, já que, segundo o MPF, a licitação promovida pela ANP contém desde o seu princípio, até a outorga do contrato firmado com a Petrobras, graves ilegalidades tanto do ponto de vista ambiental, quanto social.

“Nós da COESUS e 350.org Brasil estamos há meses em conjunto com o CIMI e o Observatório Latino Americano Anti Fracking realizando ações em diversas cidades da Amazônia Ocidental, tribos e comunidades que serão duramente atingidas pela exploração de petróleo e gás. Nossa missão é dar voz aos impactados”,destacou o Dr. Eng. Juliano Bueno de Araujo, coordenador da campanha Não Fracking Brasil.

 

Fotos: 350.org Brasil/COESUS

Arte: Divulgação

Comente!

%d blogueiros gostam disto: