Blindagem em Vaca Muerta: uma estratégia efetiva para apagar qualquer incêndio midiático

Blindagem em Vaca Muerta: uma estratégia efetiva para apagar qualquer incêndio midiático

Entrevistamos Ignacio Zavaleta e Juan Dutto sobre os últimos incidentes em Vaca Muerta (Argentina) e sobre a blindagem de que tanto fala a mídia

Ignacio “Nacho” Zavaleta e Juan José Dutto atualmente trabalham como organizadores de campanha da 350.org Argentina. Eles estão envolvidos há muitos anos na causa contra o fracking no país. Por isso, queremos compartilhar suas histórias e conhecer suas opiniões sobre esse tema que afeta a todos, inclusive os brasileiros. A versão original deste artigo, em espanhol, você pode ler aqui.

Para entender o contexto na Argentina: em Vaca Muerta, recentemente houve dois incêndios provindos de explosões em campos de exploração de xisto. Eles ocorreram em áreas onde se pratica o fraturamento hidráulico (fracking). Vaca Muerta é uma região que fica do lado oeste da Patagônia argentina, perto da Cordilheira dos Andes. Essa região possui enormes quantidades de petróleo e gás. Nos últimos oito anos, deu-se início a uma corrida para replicar o boom do fraturamento hidráulico dos Estados Unidos. Primeiro veio a Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), grande petrolífera estatal, e a Chevron, petrolífera norte-americana. Em seguida, a Total e a Royal Dutch Shell. O problema da exploração do xisto pelo fracking em Vaca Muerta é a grave contaminação do solo e da água local – fato já comprovado. Outro problema é a blindagem que as autoridades estão fazendo para impedir que a população fique contra esses empreendimentos.  

No Brasil: graças à uma longa jornada de mobilizações feita por instituições como a 350.org, a Coalizão Não Fracking Brasil Pelo Clima, Água e Vida (COESUS) e o Instituto Internacional Arayara, a prática do fracking foi proibida em vários estados brasileiros. Agora o próximo passo é a criação de uma lei federal. Uma grande vitória foi a proibição do fracking em Santa Catarina – em Papanduva, por exemplo, já havia empresas interessadas em começar essa prática.  

Foto do último acidente em Vaca Muerta, Argentina, devido à prática do fracking.

COESUS: Quando vocês começaram a se envolver com a proteção ambiental e a luta contra o fraturamento hidráulico?

Nacho: Desde 2009, em minha função de conselheiro do governo argentino, comecei a trabalhar para criar áreas ambientalmente protegidas e na elaboração de um sistema de proteção para estradas e rodovias na província de Buenos Aires (16.000 km). A ideia era que essas áreas pudessem ser usadas como um corredor biológico para promover o fluxo genético (de plantas e animais) e proibir atividade agrícola.

Agora, em relação ao fracking, me envolvi com a questão em 2012, quando o governo argentino começou a se interessar por Vaca Muerta. Algo chamou minha atenção. Descobri que o governador, naquela época, havia fechado um acordo com a YPF para explorar e, eventualmente, através do fracking, a província de Buenos Aires. Quando entendi sobre os riscos desta prática, decidi agir sobre o assunto. Por isso, em 2013, realizei uma convocatória aos conselheiros dos distritos da província de Buenos Aires para agir de imediato. Publicamos 11 leis que proíbem o uso do fracking. Tivemos um grande êxito. Também proibimos a exploração dos depósitos de carvão, já que existiam várias empresas interessadas em explorá-los através do método de combustão in situ, tão nocivo quanto o fracking. Imagine que, na Austrália, o fracking foi banido por causa do desastre que produz. 

Como obtivemos bons resultados na proibição destas práticas, fiz uma nova chamada ampliada e, em 17 de dezembro de 2013, formamos a “Assembléia de Integração para Territórios Livres de Fracking”, de âmbito nacional e com a participação de conselheiros uruguaios. Outros marcos que vale a pena nomear: estive envolvido na sanção das leis anti-fracking de Entre Ríos e Santa Fé, que regulam e restringem o uso de água e de técnicas que contaminam o meio ambiente. Estamos propondo a proibição em todas as províncias.

Juan: No meu caso, desde jovem, tive uma participação ativa nas questões ambientais e sociais. Sentia – e sinto – que é uma obrigação envolver-se e fazer com que os governos atuem. Penso que a participação popular é o que produz as maiores mudanças. Minha relação com a luta contra o fracking é o impacto que isso pode ter. Nos grupos em que participei, começamos a questionar se o fracking se desenvolveria em focos urbanizados ou próximos aos rios – porque a proximidade permite reduzir custos (pela água). Naquela época, havia mais informação nos meios de comunicação sobre o que se passava no resto do mundo que sobre os perigos que o fracking poderia trazer para a província. Quando havia algo publicado, era sobre os benefícios econômicos que o fracking poderia trazer. 

Imaginar uma vida com o fracking me fez começar a mobilizar os outros. Minhas preocupações juntaram-se com as preocupações de alguns grupos ambientais e comunidades – e assim fizemos um primeiro encontro legislativo em Neuquén para falar sobre o tema. Justamente nele que conheci Nacho, pois foi um projeto que trabalhamos juntos. 

COESUS: E quando que começou a relação de vocês com a 350.org?

Nacho: Em setembro de 2016, me chamaram para um evento da 350.org sobre luta regional contra o fracking no Senado uruguaio. Ali começou nossa relação. Desde o primeiro contato, trabalhamos em alguns projetos juntos e, no meio de fevereiro deste ano, me juntei à equipe. Nesta instituição, pude encontrar a estrutura necessária para dar uma identidade a essa luta de muitos anos – e assim foi que me integrei à família da 350.org.

Juan: A minha relação com a 350.org começou faz quatro anos, quando me contataram para saber um pouco mais sobre o que se passava em nossa província. Me falaram sobre qual era a atividade da instituição e seu interesse nas problemática ambientais de Buenos Aires. Então orientei a 350.org por diferentes locais representativos desta atividade e sobre seus impactos. 

Organizamos oficinas, reuniões no interior de Río Negro e Neuquén, onde havia exploração de petróleo e gás; visitamos os assentamentos das empresas e as comunidades afetadas pela indústria como agricultores, camponeses e comunidades mapuche. Também conversamos com outras organizações ambientais e/ou sociais e com a legislatura provincial (deputados e vereadores). Recentemente, entrei na 350.org não mais como colaborador, mas como parte da equipe.

COESUS: Há pouco mais de duas semanas, houve um vazamento de gás em Loma La Lata que levou a um incêndio. Os jornais falaram sobre a operação que foi implantada para resolvê-lo (algumas manchetes foram: “Uma equipe de especialistas dos Estados Unidos chegou”, “As tarefas de contenção estão progredindo”), mas não mencionaram as causas ou outros incidentes registrados em Vaca Muerta.

Juan: A explosão aconteceu a 2 km do Lago Barreales, que fornece água à capital de Neuquén há alguns anos. É extremamente importante que não haja exploração de petróleo perto desses locais, que não haja derramamentos. No entanto, há um poço a 300 metros do Lago Mari Menuco, que fica ao lado dos Barreales. Se houver um problema semelhante ao de Loma La Lata, o lago será contaminado. E já há alguns casos relatados.

Há vários anos, houve uma denúncia sobre contaminação da água – a justiça federal mandou fazer uma análise e deu positivo.  Ninguém deu bola. Um pouco depois, fizeram obras para levar água à capital de Neuquén. Isso é informação oficial. Mas não é que a água tenha sido limpa, seria necessário fazer estudos sobre qual é o estado dela. E é a água que consumimos aqui. 

Nacho: Foi em 2009, quando um vizinho de Añelo fez uma denúncia. Foram coletadas amostras subterrâneas e de espelhos d’água. A justiça, então, verificou a contaminação dos reservatórios de água dos quais o local se abastecia. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e não teve o impulso necessário para continuar. Estamos trabalhando com o denunciante e uma equipe de advogados para lutar nessa causa.

Plataforma petroleira perto do Lago Mari Menuco. Foto: Juan José Dutto

COESUS: Recebemos o vídeo de uma explosão no Centenario, vila no sudoeste da Argentina, cujo áudio silenciamos para proteger nossa fonte. Essa explosão também ocorreu em um poço de hidrocarboneto em Vaca Muerta. A única informação que encontramos na mídia foi uma nota de um jornal local em que as autoridades negam o que aconteceu. O que vocês conseguiram descobrir sobre o incidente?

Juan: Pelo que nos informaram, a explosão teria acontecido no dia 17 de setembro, perto de Centenario, a 17 km da capital Neuquén. Nas fotos e no vídeo, você pode ver uma rua da cidade, por isso a explosão não deve estar a mais de 2 ou 3 quilômetros de distância do observador. Conseguimos ir até lá três ou quatro dias depois, quando não havia mais nada. Consultamos jornalistas da região, eles também não encontraram informações ou obtiveram mais dados. Pensamos que, se a explosão resultou em um incêndio, neste momento ela já deve estar completamente sufocada. Existe muito desligamento de empresas de petróleo quando ocorrem incidentes em grande escala como esse. Forma-se uma zona de exclusão e isso se nota. Desta vez, isso não aconteceu, senão já teríamos sabido.

COESUS: Retornando à Loma La Lata. Escrevemos um artigo sobre o assunto para nossos leitores entenderem o contexto. Mas, exceto pelo que foi publicado nas notícias quando o evento ocorreu, continuamos sem muitas notícias sobre o assunto.

Juan: As informações que aparecem na mídia são verificadas pelas empresas de petróleo e pelo governo da província. A mídia publica apenas o que eles permitem, o que eles filtram. E nós descobrimos as informações somente através de fontes não oficiais. No entanto, até alguns anos atrás, ainda havia funcionários que se incentivavam a falar. Daquela época, há informações muito interessantes sobre a exploração de gás da região.

COESUS: De que tipo de informação estamos falando?

Juan: Por exemplo, alguns anos atrás, havia cerca de 3.000 poços de petróleo inativos em Neuquén e Río Negro que representavam um risco potencial ao meio-ambiente e à segurança das pessoas. Nesse caso, falo de poços convencionais, não de fraturamento (fracking). Somente na província de Neuquén, havia um total de 2.270 poços inativos. Desse total, 1.392 estavam fora das cidades, mas havia 878 nas áreas urbanas. Em alguns desses lugares, havia assentamentos residenciais de casas muito precárias ou terras ocupadas por pessoas com recursos limitados. Isso põe em risco a segurança e o meio ambiente. Em Río Negro, embora esse problema seja pequeno, havia quase 700 poços inativos. Alguns selados por baixo desempenho. Isso não pode ser negado porque eles saíram em algumas mídias. Mas, como você diz, nos últimos tempos não houve notícias. A informação é restrita. É a estratégia que as empresas de petróleo e o governo provincial estão usando para esconder o que está acontecendo em Loma La Lata, bem como os outros acidentes. 

Nacho: No último ano, foram mais de 900 incidentes produzidos pelo fracking, dos quais 10% foram graves. E alguns aconteceram em anos anteriores, como a perda de pastilhas radioativas. Dos casos em Rincón de los Sauces (uma população ao norte de  Neuquén que, algum tempo atrás, nem sequer tinha hospital), que são justamente os que sofreram com os vazamentos ocorridos no ano passado e no ano anterior. Incapaz de recuperar as pastilhas radioativas, o poço foi cimentado – mas essas pastilhas emitem radiação por milhares de anos. São episódios sem impacto visual, sem chamas ou explosões espetaculares e é por isso que não são de conhecimento público – mas com conseqüências potencialmente muito graves.

COESUS: Poderíamos dizer que as grandes empresas de petróleo conhecem perfeitamente o risco do vazamento desse tipo de informação?

Juan: Houve uma certa quantidade de episódios graves, mas isso é somente a ponta do iceberg. Em Plottier, cidade localizada no departamento de Confluencia, na província de Neuquén, houve um acidente. Naquela ocasião, isso aconteceu muito perto de um bairro, de um plano de habitação a cerca de 100 metros de distância. Jorge Sapag, o governador de Neuquén, dizendo-se preocupado, fez grande alarde. 

Mas imagino que foi ele quem abriu as portas de Vaca Muerta (para as petrolíferas) e administrou tudo isso – e ainda assim falou sobre a possibilidade da criação de uma lei para haver uma zona de exclusão da exploração de poços de petróleo e gás. Ou seja: não construir perto de casas, de pessoas ou de rios. Com o passar do tempo, parece que o “medo” se foi e o projeto de lei contra o fracking não saiu.

COESUS: Acreditam que é por esses casos que a mídia fala de uma operação para blindar Vaca Muerta?

Juan: A desculpa é que fazem isso para proteger os investimentos. Os sindicatos mais importantes de petróleos privados fizeram um convênio com o governo provincial e nacional para limitar suas ações e garantirem às empresas de petróleo que não haverá conflitos no futuro, que ninguém vai tentar interromper a produção petrolífera. Mas o que não está escrito nas notícias é que também há uma blindagem de comunicação. As mídias cuidam muito disso pois a indústria petroleira investe muito em publicidade. Além do mais, existe uma proteção judicial. 

Nacho: Essa blindagem tem sido preparada há muitos anos. Em 2012, foi feita uma modificação na Lei de Hidrocarbonetos, 27.007, que foi adaptada ao acordo da YPF e da Chevron. Também foi aprovada uma lei complementar: a Lei 26.734, chamada de “antiterrorismo”, que regula comportamentos sociais e habilita os governos de plantão a iniciarem processos criminais contra pessoas que protestam publicamente. Ou seja, a lei foi criada para que as manifestações possam ser interpretadas como uma ação de desestabilização. Tentamos repetidamente, na Câmara dos Deputados, revogar essa lei por sua inconstitucionalidade, mas há cumplicidade no setor político para que ela não seja modificada.

O conflito que ocorreu recentemente entre os sindicatos (UOCRA) os fortaleceu para evitar protestos dos cidadãos. Mas como vão “proteger” Vaca Muerta que abarca quatro províncias? É praticamente toda a cidade de Neuquén, parte do Rio Negro, uma fração da parte sudoeste de La Pampa e do sul da província de Mendoza. Eles encontraram nessa “proteção dos interesses da indústria nacional” a desculpa perfeita para intimidar qualquer cidadão que protestasse contra ela. Imagine: se a força militar não tivesse jurisdição, seria fácil enviar tropas para aplacar conflitos sindicais a fim de destruí-los e reprimi-los.

Juan: penso em outra blindagem que tampouco está escrita: a social, pelas condições socioeconômicas das províncias de Neuquén y de Río Negro. Dificultam que a mídia mostre o lado negativo de Vaca Muerta porque grande parte da economia se volta ao circuito comercial de Neuquén. É um círculo vicioso. Há milhares de trabalhadores com bons salários que gastam na província e nos comércios. Por eles também se move o mercado imobiliário e os aluguéis altíssimos. Além disso, há os royalties gerados pela exploração de petróleo e gás que chegam à província mês a mês. A comunidade entende que essa indústria é altamente positiva para a sociedade. E é muito difícil mudar a opinião do povo. 

COESUS: O que permite existir essa blindagem que atua em tantos níveis?

Nacho: Existe uma rede muito complexa de corrupção. Pessoas com empresas dentro das indústrias têm cadeiras no Senado ou nos sindicatos, em todas as instâncias e ao mesmo tempo. A gota d’água é que até a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Dina Migani, fornece produtos químicos para o fraturamento em Río Negro. O problema é esse: as autoridades estão nos dois lados do jogo.

Juan: É complexo também porque a indústria petrolífera está cada vez mais potente e está pensando grande.

COESUS: É tão grande que até a Al Jazeera está falando de Vaca Muerta e os perigos do fracking. 

Juan: Os investimentos estão em ascensão. Muito recentemente, saiu na mídia que, de 100.000 barris por dia, poderia se chegar a 500.000 em 2024 na Argentina. Nesse contexto, essas blindagens colocam limites nos que pensam de maneira diferente (e não concordam com os impactos dessa indústria). Não podemos protestar: os sindicatos apóiam a indústria, a mídia não publica o que acontece, as leis nos restringem e não permitem que as pessoas se mobilizem. Além disso, Guillermo Pereyra, que é senador, secretário geral do Sindicato de Petróleo e Gás Privado, agora está falando sobre acelerar a blindagem. Para aqueles que não têm nada além da palavra, nossas bocas estão cada vez mais fechadas – não porque queremos, mas porque é difícil fazer uma opinião diferente ser ouvida. 

COESUS: O que se pode fazer para pressionar a indústria petroleira tendo em vista todo o lobby envolvido?

Nacho: Há duas possibilidades. Ou convencer os cidadãos de se mobilizarem para conseguir logo cortar os efeitos dessas práticas ou, infelizmente, deixar que muitos acidentes sérios aconteçam e, dadas as evidências inegáveis ​​dos danos, não haverá alternativa senão que as autoridades interrompam essas atividades.

Juan: O primeiro objetivo é alcançar as comunidades para fazê-las entender que, além do fator econômico, existe um risco potencial à vida e à saúde da população. Qual benefício econômico existe em uma atividade que deixará você sem petróleo em 10 ou 15 anos e que produz queijo gruyère e água contaminada? Pode haver contaminação nas fazendas e em outras indústrias. Não é negócio se tivermos uma economia florescente por alguns anos, mas o futuro de nossos filhos e netos estiver em risco. 

É inviável uma província ter água contaminada, o que não é seguro, e uma indústria de frutas cada vez menor. Quando os poços inevitavelmente fecharem pelo petróleo ter acabado, eles vão deixar milhares de trabalhadores nas ruas. Além disso, as províncias estarão com sérios déficits de infraestrutura. Isso porque há outra questão negativa: basta olhar para as cidades onde o petróleo estava em expansão há anos que é possível perceber sérias limitações – Cutral Có é um bom exemplo. Essas cidades não emergiram como cidades florescentes, avançadas, mas sim com limitações. Não é porque choveu dinheiro que são cidades de muita potência.  Não há infraestrutura, em algumas falta esgoto, faltam escolas e hospitais; as estrada não são boas. Não é que há obrigação por parte das empresas de investir nestas cidades, tampouco há obrigação do governo. Devemos trabalhar para pressionar o governo para haver um controle mais rigoroso da questão ambiental e uma melhor educação da sociedade sobre esse tema

COESUS: Por último, vocês acreditam que exista o risco de que a blindagem possa servir como antecedente e modelo na região para tratar da questão do fracking e da exploração de hidrocarbonetos? Que haja acidentes e não nos informem, que não haja dados disponíveis? Nos perguntamos se algo assim poderia se suceder, por exemplo, em São Mateus do Sul, região brasileira onde se explora o gás do xisto. 

Juan: Eu acredito que essa blindagem multipropósito é aplicável onde exista um sistema político e econômico semelhante e uma população que concorde. É por isso que a participação cidadã é essencial para divulgar a realidade do que está acontecendo no setor. E a realidade é esta: um grande déficit ambiental ao longo dos anos e nenhum benefício para a comunidade diretamente envolvida.

Nacho: Em todos os lugares do mundo, os benefícios do fracking são proclamados através do mesmo discurso: que é inofensivo e menos poluente que o método convencional; que é a solução para a geração de energia, que pode ser realizado de maneira segura se tiver os controles necessários; que é uma imensa riqueza que não pode ser desperdiçada (mas você também precisa fazer um grande investimento para obtê-la). São idéias bastante globalizadas. Por isso, onde quer que você vá, a tática é a mesma: primeiro o sigilo até que os governos permitam a prática por meio de um decreto ou lei. De muitas maneiras, nós, argentinos, somos uma espécie de tubo de ensaio. Se a blindagem funcionar aqui, é provável que seja aplicada em outros lugares do mundo, considerando as características locais de cada um.

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Laura Moreira Sliva e Rocío Rodríguez Almaraz, Digital Organizer da 350.org Argentina


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