28 cidades de Santa Catarina reafirmam seu posicionamento contra a exploração do xisto

28 cidades de Santa Catarina reafirmam seu posicionamento contra a exploração do xisto

A Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI) retificou sua posição em prol do projeto de lei estadual que visa proteger o meio ambiente catarinense 

Vários setores da sociedade catarinense estão comemorando a aprovação do  projeto de lei nº 145/2019 que assegura a proibição da exploração do xisto em todo o território de Santa Catarina. A Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI) é uma delas e esteve presente na campanha desde seu início em parceria com o terceiro setor.  

Desde 2016, a Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS), a 350.org Brasil e o Instituto Internacional Arayara, tem trabalhado em conjunto com comunidades, agricultores, técnicos, organizações, associações e voluntários para lutar contra a mineração do xisto e do fracking em território catarinense. 

“Juntos, mobilizamos mais de cinquenta municípios no Estado de Santa Catarina. Durante esse período, destaco a participação da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI) e da Cáritas de Santa Catarina que vem nos apoiando e nos ajudaram a mobilizar mais de 28 municípios contra o fracking”, comenta  o diretor associado de Campanhas e Mobilizações da 350.org América Latina e diretor fundador da COESUS, Juliano Bueno de Araújo. Leia também: “7 milhões de catarinenses estão prestes a deixar o óleo e o gás de xisto no chão” e “Xisto aqui não: mais de mil pessoas se reúnem em audiência pública em Papanduva (SC)”  

O Secretário Executivo da AMAVI, Paulo Roberto Tschuni, declarou que, durante a campanha, houve uma união de forças tendo em visto o mal que a exploração do xisto pode fazer para toda a população. 

Ele conta que, após a mobilização de iniciativa do terceiro setor que envolveu autoridades, agricultores e lideranças locais, o cenário mudou: “no começo da campanha, nosso objetivo era fazer leis municipais para que a exploração do xisto não fosse aprovada. Mas agora, depois de toda a mobilização, estamos satisfeitos que não precisamos mais de leis municipais – já que haverá uma lei estadual”.

O motivo de se proteger Santa Catarina contra a exploração do xisto 

Segundo Tschuni, “a importância desse processo é proteger o próprio meio ambiente antes de qualquer outro interesse”. Tendo isso em vista, os técnicos da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS) e do Instituto Internacional Arayara fizeram um estudo de campo aprofundado e, através de relatório detalhado, ficou cientificamente comprovado o mal que a exploração de xisto poderia fazer para toda a população de Santa Catarina. Esses dados foram apresentados pela COESUS em alguns seminários e palestras desde o início de 2019 na região. Além da audiência pública em junho, que teve a participação de mais de mil pessoas. 

Na região catarinense, há mais de vinte municípios no Planalto Norte onde o xisto poderia ser explorado (confira o mapa). Essa atividade afetaria também os municípios ao redor. 

As consequências do “gás da morte” 

Caso liberada, a exploração do xisto, também conhecido como “gás da morte”, poderia trazer diversos impactos socioambientais. Entre eles está a contaminação das águas, do ar e do solo, a desapropriação de terras, desertificação, perda de biodiversidade, além do agravamento do aquecimento global. Entenda mais sobre os riscos aqui

O projeto de lei que proíbe esse impacto ambiental, no momento, está esperando pela sanção do Governador do Estado de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL). 

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Laura Moreira Sliva – jornalista do Instituto Internacional Arayara e Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida | laura@naofrackingbrasil.com.br

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