Agência de Proteção Ambiental visa permitir despejo de águas residuais de fracking no Golfo do México

Agência de Proteção Ambiental visa permitir despejo de águas residuais de fracking no Golfo do México

Ambientalistas vêm alertando a EPA sobre o projeto que continua permitindo que empresas de óleo e gás despejem quantidades ilimitadas no local

Em vez de proteger a qualidade das águas e não dar liberdade às empresas de petróleo para utilizar os oceanos como lixo, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) está permitindo que as companhias de petróleo despejem produtos químicos e tóxicos no Golfo do México – deixando de lado todos os riscos e também a lei.

De acordo com uma carta enviada aos funcionários da EPA, advogados do Centro de Diversidade Biológica Norte Americano, o projeto de licenciamento para descargas de águas residuais gera um grande impacto na qualidade de água e na vida marinha. “A EPA está pondo em risco todo um ecossistema, permitindo que a indústria petrolífera despeje quantidades ilimitadas de produtos químicos fracking e perfurando fluidos residuais no Golfo do México”, disse a advogada do Centro, Kristen Monsell. “Este plano terrível da agência que supostamente protege nossa água viola a lei federal, e mostra um desrespeito perturbador pelas ameaças tóxicas do fracking marítimo às tartarugas marinhas e outros animais selvagens do Golfo.”

Em contrapartida, reguladores e a indústria de combustíveis fósseis dizem que as operações de fracking offshore têm um histórico bom de segurança e tendem a ser menores em comparação com as operações realizadas em terra. Porém, ambientalistas seguem preocupados com os produtos químicos utilizados no procedimento, visto que muitos deles prejudicam diretamente a fauna marinha.

Segundo as autorizações atuais e em vigor da EPA, os perfuradores marítimos podem despejar uma quantidade ilimitada de fracking e ácidos químicos ao mar, desde que sejam misturados com as águas residuais que retornam dos poços submarinos. As plataformas de petróleo e gás despejaram mais de 75 bilhões de galões dessas “águas produzidas” diretamente no Golfo do México somente em 2014, de acordo com a análise do Centro de registros da EPA.

“Mais uma vez verificamos o poder das grandes companhias petrolíferas passando por cima do que realmente importa: a vida. Dezenas de pessoas e animais já estão sendo prejudicados devido à toxicidade dos produtos despejados no Golfo – independentemente de estarem misturados com resíduos de poços marinhos e se diluírem no mar”, comenta o coordenador de campanhas climáticas da 350.org Brasil e diretor da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS), Juliano Bueno de Araújo.

“As autoridades precisam se lembrar do verdadeiro papel delas, que é proteger as águas e a vida, e não garantir que todo o meio ambiente seja afetado por produtos químicos perigosos”, comenta. “Não adianta falar que as empresas vão atualizar todas as listas de produtos químicos utilizados, pois sabemos que na prática muitos das toxicidades despejadas não serão contabilizadas”, finaliza Araújo.

*Com informações do Waking Times

Paulinne Rhinow Giffhorn — jornalista da Fundação Internacional Arayara e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS).

Email: paulinne@naofrackingbrasil.com.br

Telefones : (41)99823-1660 ou (41) 3240-1160 (comunicação)

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