Estudo conduzido por pesquisadores de Manchester, no Reino Unido, classificam a exploração do gás de xisto em sétimo lugar entre nove diferentes fontes de energia.

A produção de energia a partir do gás de xisto consta como uma das fontes de energia menos sustentáveis, segundo grupo de pesquisadores de Manchester, ao se levar em conta como critérios: meio ambiente, economia e sustentabilidade social.

Apesar de ter sido banido pelo governo escocês, a exploração pelo fracking está atualmente acontecendo em diversas partes do Reino Unido. Para defender o potencial da extração do gás de xisto no Reino Unido, o governo o declarou como “exploração segura e ambientalmente saudável”.

Contudo, ainda há muito debate ao redor do fracking e, em um estudo publicado no jornal Science of The Total Environment , um grupo de pesquisadores avaliou a sustentabilidade ambiental, econômica e social do gás de xisto.“Muitos países consideram a exploração de gás de xisto, mas sua sustentabilidade geral é questionada” diz o professor Adisa Azapagic, da  Universidade de Manchester.

Por conta disso, os Estados Unidos continuam como única nação que vem realizando o fracking em grande escala. “Estudos anteriores que focaram principalmente nos aspectos ambientais do gás de xisto, em grande parte nos Estados Unidos, levantaram pouca informação sobre  aspectos  socioeconômicos”, disse o professor Azapagic.

Para direcionar esta lacuna informativa, Professor Azapagic e seus colegas levaram em consideração todos esses fatores e compararam diversas fontes de energia, incluindo combustíveis fósseis, renováveis e energia nuclear. “Isto nos possibilita avaliar a sustentabilidade geral, ao invés de focar em problemas específicos – como a poluição da água e comércio apenas – que, até então dominam, o debate sobre o gás de xisto”, afirmou Professor Azapagic.      

A equipe descobriu que ao atribuir importância aos impactos ambientais, econômicos e sociais, a extração de gás de xisto classifica-se em sétima posição entre nove opções de energia. Isto o coloca acima do carvão, mas bem abaixo de opções renováveis como vento e energia solar.

Em relatório lançado em 2016, o Commitee on Climate Change (Comitê sobre mudanças climáticas) apontou a exploração de gás de xisto em grande escala como compatível com o plano de emissões atmosféricas do Reino Unido, somente se cumprisse com algumas condições.

Essas condições incluem limitação de emissões de gases do efeito estufa produzidas durante o desenvolvimento do fracking, além de garantir que o gás de xisto substitua as importações existentes, face ao aumento geral no consumo de gás.

“As incertezas sobre a natureza da fonte explorável do gás de xisto e a dimensão potencial da indústria no Reino Unido  torna impossível saber quão difícil será o cumprimento desses padrões”, afirma o  membro do comitê Professor Jim Skea, com base na pesquisa.

Levando em conta a sustentabilidade geral, Professor Azapagic e seus colaboradores mostram que mudanças consideráveis seriam necessárias para tornar o fracking tão sustentável quanto a energia eólica e solar – mais precisamente, seria necessário reduzir em 329 vezes seus impactos ambientais e aumentar em 16 vezes a geração de emprego.

“A pesquisa fornece mais evidências claras de que as fontes renováveis de energia são  melhor investimento do que a extração de gás de xisto, isso sem contar os impactos devastadores do fracking ao ambiente e à saude humana”, afirma Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas da 350.org Brasil e da Coalizão Não Fracking Brasil pela Clima Água e Vida (COESUS)

“O fracking está simplesmente caindo por terra,” afirmou Emma Gibson, senior campaigner do Greenpeace do Reino Unido. “Números do próprio governo mostram que a quantidade de energia gerada por queima de gás deve reduzir pela metade em 2025, e depois os renováveis vão tomar o lugar dos gás como principais fontes britânicas de energia. O Reino Unido não precisa do fracking como energia do futuro e nem pode se permitir a isso se quiser honrar com compromissos climáticos”, afirma.

 

Fonte: The Independent

 

 

 

 

 

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