FRACKING é uma ameaça para todos seres vivos

O modelo energético que prioriza a exploração dos combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás de xisto – representa uma séria verdadeira ameaça para as reservas de água, a produção de alimentos, clima e a vida de todos os seres vivos do planeta.

E quando a exploração para liberar o metano do folhelho pirobetuminoso, tipo de xisto que está no subsolo a grandes profundidades, se dá pelo método não convencional chamado fraturamento hidráulico, ou FRACKING, os danos são severos e permanentes.

O alerta sobre os riscos e perigos do Fracking foi feito pelo fundador da COESUS -Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org, Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo, durante participação no Seminário Regional do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS) realizado em Criciúma, Santa Catarina de 2 a 4 de junho.

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Em parceira com a Cáritas Paraná, 350.org Brasil e Fundação Cooperlivre Arayara, a COESUS desenvolve a campanha Não Fracking Brasil para impedir que o fraturamento hidráulico aconteça em 15 estados brasileiros, entre eles Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A COESUS passa a integrar o FMCJS e levará informações à milhares de mulheres e homens sobre a ameaça do Fracking.

“A água utilizada para produção do gás de xisto possui mais de 600 produtos químicos, muitos deles tóxicos, radioativos e cancerígenos. É um gás da morte”, explicou. Durante sua palestra, Juliano afirmou que estudos mostram que o gás de xisto gera 5 vezes mais poluentes que o carvão e relacionam Fracking à seca, enchentes, furacões e terremotos. “Onde há Fracking, não há vida possível”.

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Além de intensificar as mudanças climáticas, o FRACKING representa uma ameaça à vida humana. “Se conseguem nascer, os bebês sofrem deformações e problemas neurológicos. Uma criança afetada pela contaminação tem três vezes menos capacidade intelectual. Estamos criando uma sub-raça”, explicou o engenheiro. Entre os males que afetam os adultos, estão o câncer e a esterilidade.

Cada poço de Fracking usa cerca de 15 milhões de litros de água, que não possui tratamento possível e acaba afetando o solo e lençóis freáticos: “O acidente de Mariana vira nada. Nada!” Juliano diz que temos 372 ‘Marianas’ (vazamento dos resíduos de mineração da Samarco/BHP/Vale que matou o Rio Doce) acontecendo no Brasil, já estabelecidas e agora teremos 410, com os leilões previstos pela (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível) ANP. “Dilma e Temer entregaram a política energética do país nas mãos de corporações interessadas na exploração de xisto e milhões de brasileiros serão impactados”, avisou.

Como Uruguai iniciou a produção deste gás, a região fronteiriça do Rio Grande do Sul também corre risco, assim como Santa Catarina onde foi finalizado estudo geológico encomendado pela ANP, que decidiu fazer a exploração nas areias betuminosas catarinenses.

Para proteger as cidades, Juliano sugere a aprovação de leis municipais proibindo operações para fraturamento hidráulico.  Ele destacou a mobilização que a Diocese de Umuarama e a Cáritas Paraná fizeram para aprovar a Lei Municipal que inviabiliza a exploração na cidade do Paraná. “Este modelo de resistência é viável, pois o município pode proibir o uso de água para exploração do xisto, bem como o tráfego de caminhões e concessão de alvarás para as empresas”.

Conversão ecológica

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Em sua participação, o secretário executivo do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS), Ivo Poletto, disse que um dos objetivos do Seminário Regional (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) é para que as entidades participantes se questionem se podem “fazer algo para mudar a nossa relação com a terra e, a partir daí, começar a desenhar iniciativas locais, regionais e, quem sabe, nacionais”.

Poletto revelou o desejo do FMCJS é de que a Região Sul “se articule melhor porque está mais próxima de onde está a vida”. Para ele, ‘o local’ é essencial, pois pessoas podem ser envolvidas e passarem por uma ‘conversão ecológica’, sem se perder vista questões mais amplas.

“Precisamos alimentar o coração das pessoas no sentido de ampliar em sua capacidade de amor não egoísta”, pediu Poletto, que é sociólogo. Para ele, iniciativas nacionais e internacionais também fazem parte da solução de problemas locais.

 Além da COESUS e Cáritas Brasileira dos estados do Sul, do Seminário Mudanças Climáticas e Justiça Social, entre 02 e 04, participaram outros organismos da Igreja Católica e da Igreja de Confissão Luterana no Brasil, pastorais sociais, MST, Unesc, Movimento dos Catadores, Centros de Referência em Direitos Humanos, a Unesc, entre outras organizações.

O seminário regional, como outros seis que acontecerão este ano no país, foi promovido pelo FMCJS, que articula Pastorais Sociais da CNBB, Movimentos Sociais e Entidades da sociedade civil, com o objetivo disseminar informações, gerar consciência crítica e mobilizações da cidadania visando contribuir no enfrentamento das causas estruturais do Aquecimento Global que provoca Mudanças Climáticas em todo o planeta Terra, entre outros objetivos.

 

Para saber mais dos temas debatidos durante o Seminário Regional do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, acesse o site da Agência Sul 4.

 

Com fotos e informações de Marcelo Luiz Zapelini/Agência Sul 4

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