Em artigo, Margie Alt, diretora Executiva da Environment America, fala do cenário de destruição promovido pelo FRACKING nos Estados Unidos.

 

Na última década, a combinação da perfuração horizontal com o fraturamento hidráulico – o processo conhecido como ‘FRACKING’ – tem aberto uma vasta reserva de gás de xisto nos Estados Unidos, e tem deixado um rastro de poluição química e dano ambiental.

Muitos fatores desconhecidos permanecem sobre os impactos ambientais do Fracking, em grande parte devido à falta de uma base de testes antes das perfurações começarem, e aos segredos da indústria, estimulados pela falta de regulamentações suficientes do governo. Mas o que nós sabemos, embasado em um novo relato do American Research & Policy Center and Frontier Group, é causa para preocupação.

 

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O estudo, Fracking By the Numbers, quantifica o dano ambiental causado por mais de 137.000 poços de Fracking permitidos desde 2005. Pelo fato do estudo se basear em grande parte em relatos da indústria, estimativas modestas do pedágio médio que cada poço cobra do meio ambiente, e uma miscelânea de informações do estado e reguladores fiscais, o relato pinta uma imagem conservadora – mas ainda assim assustadora – da devastação do Fracking.

Anteriormente enaltecido como uma “ponte” para um futuro de energia limpa, o FRACKING hoje está claramente colaborando com o problema do aquecimento global. Primeiro, a queima de gás de xisto extraído durante o fraturamento hidráulico cria poluição carbônica. Ainda mais danoso, o metano, um gás do efeito estufa exponencialmente mais potente que o carbono, é liberado em vários passos durante o processo.

Fracking liberou 2,4 bilhões de quilos de metano na atmosfera durante apenas um dos estágios — acabamento do poço — tão poluidor de gases do efeito estufa quanto o que 22 usinas movidas a carvão produzem em um ano.

Talvez mais notório por causar a combustão de água da torneira, o FRACKING também representa um risco crítico as nossas reservas de água. O Fracking precisa de grandes volumes de água para cada poço – água que é muitas vezes necessitada para outros fins ou para manter saudáveis os ecossistemas aquáticos.

Pelo menos 904 bilhões de litros de água foram usados no Fracking desde 2005, uma média de 11 milhões de litros por poço.

Fracking também usa uma vasta quantia de produtos químicos conhecidos pelo dano à saúde humana, incluindo ácido clorídrico e destilados do petróleo, que podem irritar a garganta, nariz, e os olhos; causa tontura e náusea; e pode também incluir agentes tóxicos e cancerígenos. Pessoas vivendo ou trabalhando em suas proximidades podem ser expostas a estes produtos químicos se eles encontrarem a água potável depois de um derramamento ou se eles forem transportados pelo ar.

A maior parte da água e dos produtos químicos tóxicos usados no FRACKING — às vezes junto de materiais radioativos que ocorrem naturalmente — retorna à superfície como água residual, causando um grande risco a canais de água e à água potável. A água residual do

Fracking tem vazado de tanques de retenção, despejada em córregos e escapado de poços de descarte com falhas.

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Apenas em 2014, poços de Fracking produziram pelo menos 52,9 bilhões de litros de água residual.

O fracking também deixou um legado de terras desfiguradas em todo os Estados Unidos. Blocos de poços, rodovias de acesso, oleodutos e outras infraestruturas construídas para o FRACKING transformaram florestas e áreas rurais em zonas industriais.

Infraestrutura para dar suporte ao Fracking já danificou diretamente 657,000 acres de terra desde 2005, uma área apenas um pouco menor do que o Parque Nacional de Yosemite.

Desde água contaminada, até paisagens devastadas, e aumento na poluição causadora do aquecimento global, o FRACKING tem sido um desastre ambiental. Embora não podemos acabar com o Fracking da noite para o dia, podemos convencer líderes de estado a acabar com novas perfurações em terras públicas. E a longo prazo, nós temos o dever de proteger nossa saúde e clima desta perfuração suja, banindo-a completamente e mantendo os combustíveis fósseis seguramente no subsolo.
Fonte: HuffPost Green

Tradução: Wellerson Nunes

 

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