O risco existe e não pode ser ignorado. Com a insistência da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) em investir na exploração de gás de xisto através da tecnologia minerária do fraturamento hidráulico, conhecida como FRACKING, há grandes possibilidades de 172 cidades, incluindo Maringá e Londrina, possam estar na próxima rodada de licitações de novos blocos exploratórios.

Vale lembrar que a ANP realizou no final do ano passado e em 2016 centenas de testes geológicos e sísmicos na região Norte do Paraná para prospectar petróleo e gás não convencional. Coincidência ou não, durante a permanência dos técnicos e caminhões ‘vibradores’ ocorreram dezenas de tremores, alguns de intensidade de até 2 Graus na Escala Richter. Mesmo tendo pareceres que colocam estes tremores como ‘naturais’, em centenas de cidades pelo mundo quando da realização de testes sísmicos, centenas de abalos ocorreram.

Terra-Rica_RPC-1024x452
Reprodução PRC TV

A população das cidades no entorno de Londrina ficou assustada. Mais de 500 casas tiveram rachaduras e quase 100 foram condenadas pela Defesa Civil. Quando partiram, nada mais aconteceu, “coincidência ou não “. Porém, mesmo que não seja este o motivo inicial para os tremores, a preocupação aumenta, pois é cientificamente comprovado pela Academia Internacional Geológica que nas áreas de exploração de gás não convencional, a ocorrência de abalos sísmicos é recorrente.

“Há um temor de que na próxima rodada de licitações a ANP inclua mais 172 cidades do Paraná, que somadas as 122 da 12ª Rodada já licitadas, deixa um dos mais importantes estados agrícolas do país à mercê da contaminação do FRACKING. A população precisa saber desse perigo e se posicionar”, afirma o fundador da COESUS – Coalizão Não Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e coordenador de Campanha Climáticas de 350.org, Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo.

Para Juliano, “é fundamental alertar a população do perigo iminente do Fracking, seja pela contaminação da água, do solo e ar, por causar câncer nas pessoas e animais, por provocar terremotos e contribuir para as mudanças climáticas”.

Liberte-se dos fósseis

Numa ação de mobilização e conscientização, representantes do movimento global LIBERTE-SE DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS (Break Free 2016) estão em Maringá para informar e mobilizar a população e gestores para os perigos do Fracking para a água, para a agricultura e para a saúde das pessoas e animais.

libertese_escuroAté 15 de maio, um grupo de ativistas climáticos e ambientais, estudantes, professores, indígenas e comunidades tradicionais, lideranças religiosas e voluntários realizarão diversas ações na cidade e uma intervenção cultural durante a 44ª Expoingá. No dia 9, quando a cidade completa 69 anos, centenas de pessoas estarão reunidas no parque exposição, a partir da 15h, para dizer NÃO AO FRACKING e aos combustíveis fósseis.

Maio é o mês escolhido por movimentos climáticos internacionais para mobilizar pessoas ao redor do mundo contra a indústria dos combustíveis fósseis, numa onda global contra projetos poluidores e que agravam o aquecimento global: Petróleo, gás e carvão devem ficar no chão. O objetivo é exigir dos governantes que invistam em energias renováveis, 100% limpas, seguras e justas.

“Além do Norte do Paraná, também estaremos realizando ações do LIBERTE-SE no Noroeste E Oeste, abrangendo ações nas cidades de Toledo e Umuarama, contra termelétricas no Ceará, tudo para denunciar a irresponsabilidade do governo brasileiro em insistir numa matriz energética suja e injusta. Nos colocam a todos em risco, sem qualquer consulta a prefeitos, vereadores e população em geral”, ressalta Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina.

350.org Brasil organiza o LIBERTE-SE com entidades parceiras como a COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil, Fundação ARAYARA, Fórum Ceará no Clima, Cáritas, Repas, UniSustentável, Observatório Latino-Americano de mudanças climáticas, entre outras.

Para saber mais basta acessar https://liberte-se.org/ .

 

Ameaça

FRACKING é a tecnologia para extração do gás da rocha de xisto que está no subsolo a grandes profundidades. Para fraturar (Fracking) a rocha, são utilizados milhões de litros de água em altíssima pressão, toneladas de areia e um coquetel com mais de 600 produtos químicos, muitos tóxicos e cancerígenos e até radioativos. Tudo para liberar o metano, combustível fóssil altamente poluente e que contribui para o aquecimento do planeta e mudanças climáticas.

WhatsApp-Image-20160505
Foto: Assessoria de Comunicação Social da UEM

Segundo Ilan Zugman e Renan Andrade, representantes da 350.org Brasil e COESUS, a ação em Maringá conta entre os apoiadores os integrantes do Núcleo de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável (Nads), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que cedeu espaço em três stands da Expoingá para o LIBERTE-SE.

A ideia é que neste espaço do Nads na feira, coordenado pelo professor José Ozinaldo Alves de Sena, seja feita a distribuição de cartazes e outros materiais informativos a respeito da campanha e esclarecer a população sobre os impactos ambientais, econômicos e sociais do FRACKING. Estudantes universitários indígenas que integram o núcleo também participem da ação.

 

 

Comente!