Um grupo de ambientalistas das cidades de Concordia, Colón, Concepción del Uruguay e Chajarí (Argentina) evitou no último final de semana que um comboio de caminhões ‘vibradores’ e sísmica geológica seguisse da Argentina para o Uruguai. Estacionados próximo à rodovia que dá acesso à Rota 015, os caminhões foram impedidos de seguir viagem para a região onde seriam realizados testes ‘sísmicos’ para detectar presença de xisto e possibilitar a exploração pela técnica do fraturamento hidráulico, o FRACKING, na região do Aquífero Guarani.

Segundo um dos participantes da ação, Franco Scatone da Assembleia Ambiental de Concordia, não há diferença entre exploração e perfuração. “Eles dizem que vão só explorar, mas quando eles têm os caminhões no local, sei que vão explodir e aí vem o FRACKING. A ideia é que os caminhões não progridam porque vemos o dano direto”.

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Foto: http://03442.com.ar

A intervenção do grupo contou com o apoio e participação da COESUS Brasil – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e COESUS Argentina, além da 350.org Brasil, entidade internacional que denuncia as mudanças climáticas e luta contra o FRACKING na América Latina.

União contra o FRACKING

De acordo o Eng. Dr. Juliano Bueno do Araujo, fundador da COESUS Brasil e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org, está sendo articulada uma frente ampla contra o FRACKING na América Latina, como a presença da COESUS também no Uruguai.

“Com futuras audiências públicas e manifestações no Senado e Congresso Nacional, bem como intenso programa técnico e científico junto à academia e movimento climático e ambiental do Uruguai, vamos consolidar a luta contra o fraturamento hidráulico em nosso continente”, observa Juliano.

Missión Argentina

FRACKING é a tecnologia minerária utilizada para a exploração de petróleo e gás de xisto, que se encontra no subsolo a grandes profundidades. Para fraturar a rocha e liberar o gás metano, injeta-se milhões de litros de água, areia e um coquetel com mais de 600 substâncias químicas, muitas tóxicas, cancerígenas e até radioativas. Parte desse fluído tóxico retorna para a superfície e a outra permanece no subsolo contaminando as reservas subterrâneas de água.

A diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira, esteve final de semana no Uruguai para dar apoio técnico a ambientalistas. “Estamos construindo uma agenda comum que promova a união dos movimentos climáticos e anti-fracking no Uruguai, Argentina, Colômbia e Peru no enfrentamento à indústria dos combustíveis fósseis”, afirmou.

“Nossa ação prevê a proteção do Aquífero Guarani, que transcende o território brasileiro e dos países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai. Defendemos o desinvestimento em fósseis e a opção mais segura pelas energias renováveis para conter as mudanças climáticas”, completa Nicole.

Segurando camiseta da Missão América Latina, Senador Fernando Solanas, em Buenos Aires, se reúne com lideranças do movimento NO FRACKING da América Latina, entre eles Juan Pablo Olsson (à esquerda), Juliano Bueno de Araujo, Senador Fernando Solanas e Nicole Figueiredo de Oliveira.

Testes sísmicos no Brasil

A ação de bloqueio da passagem dos caminhões ‘vibradores’ e sísmica geológica se deve ao temor dos ambientalistas de que os testes sejam um pretexto para fazer FRACKING para valer, promovendo e danos irreparáveis para o meio ambiente.

No final do ano passado, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) realizou dezenas de testes similares na região Norte do Paraná. Durante a permanência dos caminhões, moradores de várias cidades ouviram explosões, sentiram terremotos de quase 3 graus na Escala Richter e várias casas foram condenadas e interditadas pelas rachaduras.

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