A indústria do fraturamento hidráulico, ou fracking, gosta de chamar seu produto de “gás natural”, mas a consequência natural desta atividade é a produção de bilhões de galões de água contaminada que causa câncer.

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Um novo estudo publicado na revista Toxicology and Applied Pharmacology, intitulado “Transformação maligna de células humanas com a água utilizada na exploração de gás da Marcellus Shale”, é o primeiro estudo que confirma as suspeitas amplamente difundidas sobre o potencial cancerígeno da poluição causada pelo fracking.

O novo estudo colaborativo foi conduzido por cientistas em instituições conceituadas tanto nos EUA e na China e descobriu que o chamado “flow back”, a água utilizada no processo do fracking, induziu alterações malignas em células epiteliais brônquicas humanas compatíveis com o fenótipo canceroso. A mesma água utilizada no fracking foi injetada em ratinhos, de 5 a 6 cm desenvolveram tumores de 0.2 até 0.6 cm, após três meses de injeção, e com os ratinhos controlados não há formação de tumores após 6 meses. Os autores concluíram que os resultados indicam que “a água do flow back é capaz de transformar neoplásica in vitro”, isto é, água utilizada no processo do fracking é capaz de produzir câncer em mamíferos.

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A fim de entender como, e em que medida, esta água utilizada no processo do fracking é produzida, leia as seguintes informações:

“Acredita-se que o gás natural pode ser uma ponte de transição da dependência do carvão. Atualmente, o gás natural gera quase 40% da eletricidade dos EUA, e a formação do xisto de Marcellus, na Bacia de Appalachian, está na vanguarda da exploração de gás de xisto para a produção de gás natural nos Estados Unidos (Pritz, 2010).

A Mineração de gás natural não é novidade, mas o volume aumentou nos últimos ano  porque há uma nova técnica de fraturamento hidráulico horizontal de alto volume (HVHF). A preocupação com os impactos ambientais, da saúde pública e sociais deste método tem aumentado em conformidade. HVHF é uma tecnologia avançada que injeta água, areia e outros ingredientes em alta pressão verticalmente em um poço com cerca de 6000 a 10 mil pés de profundidade (Penningroth et al., 2013).

A alta pressão cria pequenas fraturas nas rochas que se estendem por até 1000 pés de distância do poço. A pressão é reduzida quando as fraturas são criadas, o que permite que a água do poço volte para a superfície, também conhecido como flow back (Veil, 2010). O flow back contém misturas químicas complexas, mas também surge toxinas, tais como metais, orgânicos voláteis e compostos radioativos que são desestabilizados durante a extração de gás (Warner et al., 2012). Em média, cerca de 5,5 milhões de galões de água é usada, em média, para cada poço fraturado hidraulicamente  e retornam de 30% a 70% do flow back para a superfície (Veil, 2010).

Atualmente o descarte do flow back é: injetar no subsolo através de um poços de descarte local ou externo; despejar em piscinas superficiais nas proximidades; transportar para uma estação de tratamento de água municipal ou estações de tratamento públicas; transporte para uma instalação de tratamento de água industriais comercial; e / ou reutilização para um futuro trabalho de fraturamento hidráulico com ou sem alguma correção (Pritz, 2010). Algumas instalações comerciais de eliminação de água aceitam o flow back e despejam a água após o tratamento sob seus próprios poços nacional de poluentes, esse sistema permite a eliminação o despejo (Veil, 2010).”

As implicações dos dados apresentados acima são verdadeiramente angustiantes. A Pensilvânia, sozinha, tem mais de 7.700 poços ativos em uso no momento. Mais de 4.000 violações foram relatadas, e mais de 6 milhões em multas pagas até agora. As operações desses poços na Pensilvânia necessitam de cerca de 42 bilhões de litros de água, e de acordo com os valores acima, juntos produzem entre 1,4 e 6 bilhões de galões de flow back.

Apesar da escala massiva de poluição tóxica gerada pela indústria do fracking, ela tem sido muito bem sucedida em enganar o público chamando o seu produto de “gás natural” – uma técnica típica de lavagem verde.

A verdade é que a formação Marcellus Shale, na Bacia de Appalachian, que de longe é o # 1 lugar de produção de “gás natural” nos EUA, e que utiliza a técnica fracking cada vez mais conhecida como fracking hidráulico horizontal de alto volume (HVHF), é responsável pela produçã não só a química maciça e poluição por metais pesados, mas resíduos radioativos.

radioactive_waste_fracking_jopg(1)O novo estudo aborda a preocupação com a radioatividade, observando teste da água utilizada no processo, “não pode ser verdadeiramente representativa, uma vez que foi envelhecida antes da caracterização físico-química necessária neste conjunto de experimentos, e, portanto, nem quantidade significativa de compostos de radioatividade ou orgânicos estava presente”. Em outras palavras, a carcinogenicidade da poluição do fracking pode ser muito superior ao observado no presente estudo em que os componentes radioativos são levados em conta.

Os principais elementos “cancerígenos” identificados no teste de água utilizada no processo foram bário e estrôncio, que são dois minerais alcalinos que imitam cálcio nos organismos vivos e, portanto, são tomadas livremente pelas células. Estes elementos são encontrados naturalmente na Marcellus Shale, mas são liberados em concentrações naturais muito maior do na água utilizada no processo como contaminantes após o fracking.

O estudo conclui:

“Nosso trabalho tem proporcionado a primeira evidência de que o flow back de Marcellus Shale induz a transformação de células malignas in vitro. As células de BEAS-2B expostas ao flow back em até seis semanas se transformaram e exibiram morfologia alterada em comparação com as células parentais. O presente trabalho também apresentou Ba e Sr relacionados com poluentes do fraturamento hidráulico, além dos contaminantes estudados pela poluição do fracking (ou seja, radioisótopos e metano) para uma investigação mais profunda. São necessárias e urgentes investigações para determinar se os poluentes associados ao fracking podem migrar para poços de água potável privadas ou públicas, identificar indicadores de alerta precoce da exposição e efeitos e abordagens de remediação apropriadas. Estudos epidemiológicos descritivos e analíticos, juntamente com estudos de modelos animais, ajudarão a compreender melhor o impacto na saúde associados com a produção de gás de xisto não convencional.”

 

FONT: http://www.greenmedinfo.com/blog/fracking-wastewater-cancer-causing-new-study-confirms-1

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