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O gás de xisto seria utilizado para alimentar uma usina termoelétrica produtora de energia.  Uma usina  que funciona com gás natural emite menos gases de efeito estufa do que aquele que queima carvão. Isso quer dizer que o gás natural é uma parte fundamental da solução para o dilema da mudança climática?

De acordo com as últimas pesquisas científicas, verifica-se que o gás natural tem apenas um pequeno papel a desempenhar na redução das mudanças climáticas, se houver. Para entender o por que, é necessário analisar todo o processo de geração de energia a partir de gás natural, desde a extração até geração de energia elétrica.

Em primeiro lugar, o processo de extração de gás natural libera uma quantidade significativa de metano para a atmosfera.  A EPA dos EUA avalia o Potencial de Aquecimento Global (GWP) de muitos tipos de poluentes ao longo do tempo. (fonte) Se um poluente possui um potencial de 1, isso significa que cada libra de poluente vai contribuir para o aquecimento global tanto quanto 1 libra de CO2. Se um poluente tem um GWP de 20, uma libra de poluente que vai contribuir para o aquecimento global em até 20 libras de CO2. Durante um período de tempo de 100 anos, o metano tem um GWP de 20 – o que significa que é 20 vezes mais potente que o CO2 como um agente da mudança climática. (fonte pg. 212)

Além disso, para se construir as usinas e a infra-estrutura de distribuição de energia desde os locais de extração, geralmente distantes, até os locais de demanda energética, exigirá a construção de rodovias, desmatamento e investimentos altíssimos, gerando mais impactos ambientais e sociais, além de emitir ainda mais gases de efeito estufa.

É por isso que precisamos de um firme compromisso com as fontes de energia renováveis e com a eficiência energética. Enquanto o gás natural pode dar uma pequena contribuição para a redução das emissões a longo prazo, esses recursos renováveis ​​e de eficiência são a única maneira de fazer qualquer redução significativa às mudanças climáticas.

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“As concentrações de carbono da atmosfera acabaram de passar das 400ppm (partes por milhão) no último mês, e isso só é um sinal do que está por vir. Nós já temos visto os efeitos letais das mudanças climáticas em forma de aumento do nível do mar, tempestades monstruosas, secas, enchentes e eventos climáticos extremos de todos os tipos.  O nível seguro de dióxido de carbono na atmosfera é 350ppm, e a única forma de atingir sustentabilidade planetária e proteger nossos biomas mais sensíveis é deixar o gás e o petróleo no solo. Deixar de explorar o Fracking é um passo essencial para chegar lá.” Saiba mais

Nicole Figueiredo de Oliveira
Líder da equipe da 350.org no Brasil

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