Brasil recebe o prêmio ‘Fóssil do Dia’ pela segunda vez consecutiva

Anti premiação é feita por ONGs ambientalistas durante a Conferência das Partes

Fóssil do Dia

 Brasil recebeu o prêmio ‘Fóssil do Dia’ por causa de posições polêmicas do presidente eleito

Ontem (5), o Brasil recebeu o prêmio ‘Fóssil do Dia’ durante a Conferência das Partes (COP-24), em Katowice, na Polônia. De acordo com a Climate Action Network (CAN), grupo que reúne mais de mil ONGs em todo o mundo, o principal motivo foram as posições polêmicas do presidente eleito e seus futuros ministros em relação ao aquecimento global.

A carta divulgada pela CAN começa com a pergunta “o que aconteceu com você, Brasil?” — mostrando a indignação do grupo em relação ao país que iniciou a Convenção Climática da ONU, durante a Rio 92. Ainda de acordo com a publicação, o Brasil se tornou motivo de chacota entre os negociadores de Katowice. Até o presente momento, as assessorias do presidente eleito e da equipe de transição não se pronunciaram sobre as críticas.

De acordo com o coordenador da campanha Zero Fósseis e campaigner da 350.org, Ilan Zugman, vencer pela segunda vez consecutiva significa que o país não está fazendo sua parte para conter a crise climática. “Ano passado, ganhamos devido à isenções fiscais de 1 trilhão de reais para extração de reservas fósseis offshore. Já esse ano, por não conseguir evitar o desmatamento de nossas principais florestas. Fato que, segundo estudos, irá contribuir para a emissão de 3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono”, complementa.

Em 2017, o país recebeu o prêmio vexaminoso devido à Medida Provisória 795, conhecida como MP do Trilhão, que propunha reduzir impostos da exploração de petróleo e gás. O primeiro ‘Fóssil do Dia’ foi concedido ao Brasil em 2011, durante a COP-17, realizada em Durban, na África do Sul, em razão do Código Florestal estipulado na época — apontado como um estímulo ao desmatamento.

Sobre o ‘Fóssil do Dia’

Desde 1999, o prêmio Fóssil do Dia é entregue diariamente durante a COP à países que fizeram o “melhor” para bloquear o progresso nas negociações ou na implementação do Acordo de Paris. A votação da anti premiação é feita pelas mais de mil organizações ambientalistas que fazem parte da Climate Action Network.

Confira a carta traduzida na íntegra

“O que aconteceu com você, Brasil?

O local de nascimento da Convenção do Clima da ONU, já celebrado por seus passos espetaculares na redução do desflorestamento e do aquecimento global, se tornou motivo de chacota pelos negociadores em Katowice.

Há apenas 10 dias antes da realização da COP-24, o presidente eleito do Brasil, o capitão militar Jair Bolsonaro, cancelou a oferta de sediar a COP-25 no próximo ano, porque leu no WhatsApp que o Acordo de Paris é uma ameaça à soberania do Brasil. É, claro, isso parece verdade.

E se você acha que isso é uma vergonha, considere por um minuto que o ministro indicado, Ernesto Araújo, é um homem que tem como modelo o Donald Trump e escreveu que as mudanças climáticas são parte de um plano Marxista para transferir o poder para a China. Alguém, por favor, avise a Angela Merkel!

Os planos de Bolsonaro para a floresta Amazônica, no entanto, não são motivos de piada. Ele prometeu acabar com o controle de desflorestamento, abrir terras indígenas para grandes negócios, liquidar as licenças ambientais e, até mesmo, findar o Ministério do Meio Ambiente. Os criminosos ambientais estão escutando de perto esse discurso: entre agosto e novembro, as taxas de desflorestamento cresceram 32% e um estudo recente estima que poderá atingir 25 mil quilômetros quadrados por ano, com emissões resultantes de 3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Isso é um ‘tchau’ para o limite de aumento de 1,5ºC.

Mas, antes de mais nada, a loucura florestal de Bolsonaro está colocando seu próprio povo em perigo. A Amazônia é responsável por exportar a umidade que alimenta as chuvas no sul do país, onde as pessoas vivem, e os alimentos são produzidos e, além disso, metade das cidades brasileiras sofreram estresses hídricos críticos nos últimos quatro anos.

Nós sentimos muito, brasileiros, vocês estão sendo envergonhados. Bolsonaro está pondo em risco o seu povo e ameaçando o destino de todo o planeta — tem algo mais merecedor do que um Fóssil?”

Leia também: Brasil recua candidatura para COP-25

Paulinne Rhinow Giffhorn — jornalista da Fundação Internacional Arayara e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS).

Email : paulinne@naofrackingbrasil.com.br

Telefones : (41)99823-1660 ou (41) 3240-1160 (comunicação)

Compartilhe!
Facebooktwittergoogle_pluspinterestmail

Siga-nos!
Facebooktwittergoogle_pluspinterestrssyoutubevimeoinstagrammail

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *