Vereadores do Mato Grosso do Sul abordam os riscos da exploração de gás não convencional

Agricultura e pecuária da região terão sérios prejuízos caso a prática seja permitida

A exploração do gás de xisto e suas consequências foram tema central durante a tarde de quinta-feira (8) no Seminário dos Vereadores(as) do Mato Grosso do Sul 2018, em Campo Grande (MS). As equipes da Coalizão Não Fracking Brasil (COESUS) e 350.org Brasil ministraram oficinas técnicas e jurídicas para mais de 100 representantes do legislativo, executivo e setor produtivo do estado — entre eles prefeitos, vereadores, sindicatos e associações. O objetivo foi explicar como é realizado o fraturamento hidráulico e a importância de criar uma legislação que proíba a prática, que possibilita a extração de gás por meio de perfurações e injeções de fluídos hidráulicos radioativos e químicos no subsolo. Posteriormente, essas ações acabam por reduzir a capacidade produtiva do solo e o uso da superfície.

“Os grandes impactos do fracking, em um primeiro momento, são para a economia local as reservas de água potável e, além disso, algo que é muito importante aqui na região do Mato Grosso do Sul: a alimentação — proveniente da produção de soja e carne”, afirmou a agricultora e especialista da campanha Não Fracking Brasil, Dra. Suelita Röcker. “Atualmente, já foram leiloadas 26 cidades para a prática lesiva do fracking no Mato Grosso do Sul. Se concretizado, o fraturamento hidráulico pode contaminar toda a produção de agricultura e pecuária, causando mortes aos animais, problemas à saúde da população e sérias restrições fitossanitárias”, completou.

Suelita também destacou que, atualmente, o maior estado produtor de gado de corte do mundo e exportador de carne bovina, o estado de Victoria, na Austrália, proibiu o fracking. “Um dos grandes motivos foi evitar perdas produtivas e, especialmente, clientes no exterior. Garantindo assim, segurança e competitividade ao local”, explicou.

Após a fala da agricultora, o advogado e engenheiro, Dr. Rubens Born, esclareceu aos participantes a importância de criar e aprovar uma Lei Anti-fracking nos municípios — hoje aprovada em mais de 400 municípios do Brasil, especialmente produtores . “É dever do poder público precaver e prevenir os riscos e impactos à saúde humana que podem ser causados pela prática”, constatou. Além disso, Born destacou que “promover um ordenamento territorial que livre nossa carne e nossos produtos alimentícios da contaminação, é também exercer a defesa do consumidor”.

O vereador de Jateí (MS), Tingo (PSB), teve seu primeiro contato com as resultantes da prática durante o evento. “Esse seminário foi de extrema importância para todos os vereadores de Mato Grosso do Sul. Com certeza traremos as informações recebidas às Câmaras para não trazer o fracking para nosso estado”, afirmou. Já o vereador do município de Paranhos (MS), Milton Rogerio da Silva (PDT), enalteceu a importância de preservar o meio ambiente. “Este é o futuro das nossas gerações. Estaremos sempre à disposição e lutando em prol à essa causa aqui no estado”.

Paulinne Rhinow Giffhorn — jornalista da Fundação Internacional Arayara e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS).

Email : paulinne@naofrackingbrasil.com.br

Telefones : (41)99823-1660 ou (41) 3240-1160 (comunicação)

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