Campanha contra o fracking ganha força no Mato Grosso do Sul

Equipes da COESUS, 350.org e parlamentares estão articuladas percorrendo diversas cidades para levar informação às populações sobre os impactos da técnica

A equipe da 350.org Brasil e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS) está esta semana percorrendo diversas cidades do Mato Grosso do Sul para realizar reuniões e participar de audiências públicas. Estão incluídas na agenda de atividades visitas às escolas, faculdades, Câmaras Municipais, Prefeituras, sindicatos, assentamentos e comunidades rurais. O objetivo é levar conhecimento e informação sobre os impactos da técnica do faturamento hidráulico – ou fracking –, para extração do gás de xisto.

A primeira cidade a receber a visita foi Nova Alvorada do Sul, que está entre os 54 municípios do estado que tiveram áreas ofertadas em leilão realizado pela Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP), e poderão ser impactados com esse tipo de exploração. Preocupado com os danos irreversíveis que a atividade pode causar ao meio ambiente e à população, o deputado estadual Amarildo Cruz (PT), parceiro da campanha, promoveu nesta segunda-feira (21) a audiência pública “Impactos da Extração do Gás de Xisto em Mato Grosso do Sul”, na Câmara de Vereadores.

Autor do projeto de lei que pede a suspensão da exploração do gás no Estado por um período de dez anos, o parlamentar realizou a primeira discussão sobre o tema na capital, Campo Grande, há cerca de um mês, e agora pretende percorrer todas as cidades que fazem parte do bloco da Bacia do Paraná, áreas visadas para a exploração por fracking. Nessa região está localizado o Aquífero Guarani, a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e uma das maiores do mundo.

“Nossa intenção é trazer o assunto à tona, informar a população sobre o perigo que corre, principalmente aquela das localidades com potencial para a exploração do gás, além de sensibilizar as autoridades competentes para que tomem medidas protetivas”, disse o deputado. Até o momento, áreas dos municípios de Santa Rita do Pardo e Brasilândia já foram arrematadas pela Petrobrás em duas rodadas de leilões da ANP. As outras áreas continuam em leilão permanente e podem ser arrematadas a qualquer momento.

“As autoridades municipais têm o dever de informar a população, considerando os impactos diretos à economia local, à agricultura, à saúde e ao meio ambiente. O fracking é uma atividade predadora e desnecessária. Temos hoje diversas fontes alternativas e renováveis que podem substituir o uso de combustíveis fósseis como o petróleo e o gás para geração de energia, como o sol e o vento”, afirmou Suelita Rocker, coordenadora de de engajamento e comunidades da Coesus e 350.org, durante a audiência pública.

Ela reforçou a importância de se aprovar o projeto de lei municipal que vai impedir a presença da indústria nos municípios e a exploração do subsolo na região, e lembrou os exemplos dos estados do Paraná, que já tem uma moratória de 10 anos proibindo a prática, e São Paulo, que também já está mobilizado e onde a análise e votação da lei estadual já está em curso. “Esse estado tem uma grande produção agrícola e pecuária, atividades que necessitam de água. Mas caso aconteça a exploração, essa água será utilizada para o fracking. Onde existe a exploração já existe racionamento de água para a população”, frisou.

A técnica do fraturamento hidráulico perfura o subsolo vertical e horizontalmente, chegando muito próximo de fontes subterrâneas de água, onde é injetado milhões de litros cúbicos de água misturada com centenas de produtos químicos, cuja pressão causa fraturas que liberam o gás. A técnica não só contamina águas superficiais e reservas subterrâneas, como também o solo e o ar, além de agravar o aquecimento global, uma vez que libera o metano, um dos gases causadores do efeito estufa.

Os municípios sul-mato-grossenses com áreas já ofertadas em leilão pela ANP são: Água Clara, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Campo Grande, Deodápolis, Ivinhema, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu, Três Lagoas, Alcinópolis, Bandeirantes, Camapuã, Cassilândia, Chapadão do Sul, Costa Rica, Inocência, Rochedo e São Gabriel do Oeste.

Assista aqui à audiência completa.

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One Comment

  1. Pingback: Audiência sobre fracking mobiliza Santa Rita do Pardo - Não Fracking Brasil

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