Protestos contra exploração de petróleo no Algarve continuam

O Movimento Algarve Livre de Petróleo convoca a população para protesto na Câmara Municipal do Aljezur no dia 17 de maio

Foto: Movimento Algarve Livre de Petróleo

As intenções de prospecção e exploração de petróleo na região do Algarve, em Portugal, continuam, mas a resistência da população local e de diversas pessoas no mundo todo também. Há meses a população está mobilizada para proteger a região da indústria fóssil e para impedir que os projetos de exploração continuem.

Mais um exemplo disso será o protesto organizado pelo Movimento Algarve Livre de Petróleo (MALP) na próxima quinta-feira, dia 17 de maio, na Câmara Municipal de Aljezur, às 16h30. O objetivo é pressionar o novo Presidente da Câmara, José Gonçalves, e descobrir a real intenção do governo de António Costa com as explorações de petróleo na localidade. O MALP também cobra atitudes reais das autoridades para travar esse crime político e ambiental.

A manifestação também pretende ser um alerta para toda a população do Algarve, de que as petrolíferas GALP (empresa portuguesa no setor de energia, detentora da Petrogal e da Gás de Portugal) e ENI (multinacional petrolífera presente em setenta países) já anunciaram para muito breve o furo de petróleo em Aljezur. Por isso, “é necessário um alarde cívico para impedir a entrega do território do Algarve e da costa litoral do Alentejo para a indústria petroquímica”, dizem os apoiadores do movimento.

Em apoio à campanha contra a exploração em Aljezur, membros da 350.org Brasil e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS) conversaram com centenas de pessoas durante o Fórum Alternativo Mundial da Água sobre essa ameaça. O Fórum aconteceu em Brasília entre 17 e 23 de março, e diversas pessoas se sensibilizaram com a causa e enviaram mensagens de apoio.

“No Brasil temos uma campanha há alguns anos e trabalhamos duro para proibir a exploração de petróleo e gás de xisto. Já conseguimos banir essa prática de mais de 380 municípios no país e temos ampliado nossas ações também para nossos vizinhos da América Latina, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia. Não podemos aceitar mais nenhum novo projeto com combustíveis fósseis. Nem do lado de cá, nem do lado de lá”, afirmou Juliano Bueno de Araujo, fundador da COESUS e coordenador de campanhas climáticas da 350.org.

Entenda o problema

Aljezur está localizada no Algarve, uma região litorânea que fica no sul de Portugal e que é considerada uma das regiões mais turísticas no verão europeu e uma das mais ricas do país. No começo do ano, o governo português prorrogou a licença de prospecção de petróleo na região em três concessões no oceano Atlântico, o que inclui a realização de uma perfuração de teste em águas profundas, a cerca de 46 quilômetros de Aljezur.

Essa decisão vai contra a dinâmica econômica da região e é incoerente com as estratégias do governo de utilizar energias renováveis, além de contrariar a resolução anunciada pelo primeiro-ministro, António Costa, na conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22), em Marrakesh, em 2016, de fazer evoluir a economia nacional para chegar a um modelo neutro em carbono até 2050.

O Movimento Algarve Livre de Petróleo recorda também que o contrato de exploração de petróleo ao largo de Aljezur foi assinado em 2007 pelo ex-Ministro Manuel Pinho, durante o Governo de José Sócrates. A autorização da exploração em Aljezur em 2018 foi dada pelo atual Governo do Primeiro-Ministro António Costa.

Como outro exemplo de que a indústria petrolífera anda envolta em casos de corrupção, o Presidente da GALP, Carlos Gomes da Silva, é acusado de ter pago viagens a membros do Governo de António Costa e a deputados da oposição. Carlos Costa Pina, atual Administrador da GALP e ex-Secretário de Estado do Tesouro do Governo de José Sócrates é acusado no mesmo caso.

Campanha #pararofuro

Foto: Climáximo

O Climáximo, grupo de ativistas movidos pela urgência do combate às alterações climáticas e os seus graves efeitos, está promovendo a competição “selfies contra o furo”. Essa é mais uma de várias iniciativas cidadãs para impedir a exploração. A ideia é que as pessoas tirem fotos ou façam desenhos e montagens, com a hashtag #pararofuro. Você encontra mais informações sobre essa ação aqui.

Seja para participar da competição ou não, você pode enviar a sua mensagem de apoio utilizando a #pararofuro e postando em suas redes sociais!

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