COESUS leva mensagem contra o fracking a leilão de petróleo e gás

Com direito de fala garantido durante a sessão pública da 15a Rodada de Licitações da ANP, representantes da Coalizão Não Fracking Brasil registram posição contrária da sociedade brasileira à técnica

Nesta quinta-feira, dia 29 de março, a Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP) realizará a 15ª Rodada de Licitações de blocos para exploração de petróleo e gás. Diferente do cerceamento de participação que vinha ocorrendo nas últimas rodadas, dessa vez representantes da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS) terão um espaço de fala durante a sessão pública de ofertas, onde levarão às empresas investidoras e às autoridades governamentais a mensagem da sociedade civil brasileira contra a técnica do fraturamento hidráulico, mais conhecido como fracking.

O leilão, a ser realizado no Hotel Pullman, no Rio de Janeiro, será dividido em duas etapas: a primeira, na parte da manhã, contemplará os blocos marítimos, e a segunda, à tarde, os terrestres. Serão oferecidos no total 70 blocos em sete bacias sedimentares, abrangendo uma área de aproximadamente 95 mil km². A oratória dos membros da COESUS será realizada na abertura da sessão da tarde, e foi garantida pelo próprio diretor-geral da ANP, Décio Oddone, durante reunião fechada com a coordenação nacional da coalizão no final de fevereiro.

Sete membros da COESUS falarão em nome da sociedade civil, representando diversos estados e regiões do país ameaçadas pelo fracking. São eles: Juliano Bueno de Araujo, fundador e coordenador nacional da Coalizão; Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org no Brasil e América Latina, organização que integra a COESUS; Kretã Kaingang, cacique do Paraná e membro da coordenação-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib); Jardel Miranda, coordenador da Campanha Não Fracking Brasil no Maranhão; Reginaldo Urbano Argentino, representante da Diocese de Umuarama e integrante do Grupo de Trabalho da Mineração da Conferência Nacional do Bispos do Brasil (CNBB); Luís Adalberto Lunitti, agricultor e ex-prefeito de Toledo (PR), primeiro município a aprovar legislação contra o fracking no Brasil; e Suelita Rocker, agricultora e coordenadora da Campanha Não Fracking em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O fracking, método não convencional para exploração de petróleo e gás de grandes profundidades, utiliza milhões de litros cúbicos de água misturados com areia e mais de 600 solventes químicos, alguns até cancerígenos. Cerca de 40% deste material, chamado “fluido hidráulico”, retorna à superfície, enquanto o restante permanece no subsolo, próximo às fontes de água, contaminando assim rios e aquíferos. Dessa forma, o método comprovadamente causa diversos impactos socioambientais, à saúde humana e animal, à economia, inviabilizando a atividade agrícola e agropecuária. Além deste impactos, a técnica também intensifica as mudanças climáticas, uma vez que libera sistematicamente o gás metano, um dos causadores do efeito estufa e que, no curto prazo, é 86 vezes mais danoso que o CO².

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