Vereadores anunciam “presente de Natal” para Peruíbe

Projeto de emenda à lei orgânica que barra construção de termoelétrica foi reapresentado nesta quarta.

Segundo o vereador Adilson da Van, emenda à lei orgânica contra indústrias poluentes “passará” em 2018

Quem foi à última sessão de 2017 na Câmara Municipal de Peruíbe participou de uma celebração de fim ano. Teve inúmeros agradecimentos, trocas de elogios entre os vereadores, homenagens apresentações e o anúncio de um “presente de natal” para a cidade. Como a pauta era longa, o vereador Adilson da Van pediu aos presentes que permanecessem até o grande expediente para que soubesse da novidade.

A comunidade compareceu em peso,  mais uma vez, à casa legislativa para mostrar aos vereadores que insistirá na aprovação da emenda à lei orgânica, que proíbe indústrias poluentes, causadoras de chuva ácida, no município. Como já era esperado, o projeto foi reapresentado e, depois da longa espera, veio a boa nova.

O vereador Adilson da Van, em nome dos seis vereadores ausentes na segunda votação da emenda, afirmou que “após uma semana muito complicada, com muitas críticas e acusações”, analisaram o projeto e decidiram que “no ano que vem, a emenda passará”. O público comemorou mas, também fez ecoar sua voz, pedindo aos vereadores: “sem alteração!”.

O que ocorre, é que embora se mostrem favoráveis, alguns vereadores reivindicam alterações no texto do projeto. Segundo ativistas dos movimentos contrários à construção de uma termoelétrica na cidade, o tema foi debatido nos últimos dias com os representantes, e estas mudanças propostas abririam brechas nas regulamentações e enfraqueceriam a emenda.

Após o anúncio, questionado sobre o anúncio, o vereador Astrogildo, que foi alvo de muitos embates nas redes sociais nas últimas semanas, disse que não teria havido “mudança de postura” e que a situação ainda deve ser analisada. “Os vereadores estão estudando uma melhor maneira de adaptar essa emenda na lei orgânica do município”, afirma.

 

A pressão continua

Mari Polachini, líder do Movimento contra as agressões à natureza (Mocan) comemorou a notícia mas com certa desconfiança. “Nao sabemos como eles vão voltar do recesso e certamente haverá um contra ataque da Gastrading. Nossa mobilização vai continuar, para cooptar a ajuda de turistas e veranistas que amam nossa cidade e certamente não vão querer esse empreendimento devastador aqui”, afirma.

A ação junto a veranistas e de conscientização da população como um todo é essencial para reforço da campanha.  “Os guerreiros desta causa são todos que aqui estão. Juntos somos mais fortes e nossa causa é uma só: a vida”, afirma o coordenador de campanhas da 350.org Brasil e América Latina e da COESUS- Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

Ênio Pestana, advogado e fundador do grupo “Raízes”, diz quer quer confiar nos vereadores mas que as ações devem  continuar para barrar o empreendimento. Ele conta que membros do grupo estiveram na usina de Ipojuca, em Pernambuco, para ver a realidade de uma cidade com uma termoelétrica e a visita reforçou a necessidade da luta.

“Constatamos que não trouxe benefícios para o município. Pelo contrário teve vários prejuízos aos pescadores, turismos e aumento de ataque de tubarões.  Todos se prejudicaram bastante, de jangadeiros e comerciantes a mergulhadores”, afirma.

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