Fracking é proibido em Martinópolis com apoio da população

Após mobilização popular, prefeito sanciona lei que proíbe a exploração de gás pelo fracking

Por Daiana Lopes

A comunidade de Martinópolis, no oeste paulista, deu importante passo para se ver livre dos perigos da exploração de gás pela técnica do fraturamento hidráulico, o fracking. Foi  sancionado pelo poder público, com apoio pleno da população, o Projeto de Lei n. 2.986, que impede a concessão de licença para as atividades de pesquisa ou exploração de gases e óleos não convencionais no município.

De acordo com o prefeito, Cristiano Macedo Engel, o forte da economia na região é o agronegócio, com grande potencial também para o turismo ecológico e religioso. “Aprovamos essa lei para proteger a saúde da população, o ambiente, mas também a nossa economia. Queremos tornar Martinópolis uma instância turística, e o fracking, que contaminaria nossa água e nosso solo, prejudicaria diretamente a vocação natural do município”, afirma o prefeito.

Martinópolis possui áreas de mata preservada e a represa Laranja Doce, bastante procurada para atividades aquáticas. “Essa é mais uma vitória de todos que lutam pela vida e pela nossa região. Mais um município livre desse mal. Não podemos permitir que o fracking contamine o Aquífero Guarani e coloque em risco a nossa população e a sobrevivência das gerações futuras”, ressaltou o advogado e coordenador regional da COESUS (Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida), José Lira.

Mobilização regional

Martinópolis localiza-se sobre o Aquífero Guarani, o segundo mais importante da América Latina e uma das principais reservas subterrâneas de água doce do mundo. Representantes e voluntários da COESUS e da 350.org Brasil estão percorrendo cidades de toda a região para expor os riscos de contaminação da água, do ar e do solo pelo fracking.

Uma palestra de conscientização aberta à comunidade e municípios vizinhos reuniu mais de 450 pessoas em Martinópolis, no início de novembro. O procurador da cidade, Dr. Galileu Marinho, alerta sobre a necessidade de disseminar informações. “É primordial que todos os municípios da região também aprovem a lei municipal para proibir o fracking, uma vez que os danos causados pela atividade atingem um raio de até 80 km”, explica.

 

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