Encontro discute pautas do movimento indígena no sul do país

II Encontro Regional de Estudantes Indígenas da Região Sul teve o intuito de trazer discussões da pauta indígena à universidade

Por Gabriel Perez

A 350.org Brasil e a COESUS (Coalizão Não Fracking Brasil Pelo Clima, Água e Vida) estiveram presentes no segundo Encontro Regional de Estudantes Indígenas da Região Sul, que aconteceu entre os dias 30 de novembro e 1 de dezembro, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foram discutidos temas como a liderança dos povos indígenas nas questões climáticas e na luta pela preservação dos territórios indígenas contra a exploração de petróleo, gás e carvão.

Ambas as entidades foram representadas pelo cacique do povo  Kaingang, Romancil Kretã, coordenador indígena da campanha Nao Fracking Brasil. retã participou da abertura do evento comentando a importância da presença indígena em ambientes acadêmicos. “Esse evento representa muito à causa indígena. Reafirma nossos direitos como cidadãos e a luta pelo nosso direito de frequentar todas as instituições da sociedade brasileira”, frisou.

No segundo dia do encontro, Kretã participou de uma mesa sobre a luta das comunidades indígenas pela garantia de seus territórios. Durante o debate, Kretã falou sobre o impacto da extração do gás de xisto pelo método do fracking. “Uma das lutas que temos hoje é pela proibiçao da extração do gás de xisto em nosso território, porque áreas próximas às aldeias foram leiloadas pela ANP, pondo em risco nossa identidade originária para o lucro de poucos, algo que os Mapuche, indígenas do sudoeste da Argentina, vêm sofrendo”, afirmou Kretã.


Oevento realizado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reuniu as comunidades e lideranças dos povos Kaingang, Guarani, Kaiowá, Xokleng e outros vindos de diversas regiões do Brasil para discutir a interculturalidade do movimento indígena. Entrelaçar a visão dos povos tradicionais com as matrizes curriculares voltada aos atuais retrocessos que as populações indígenas vêm sofrendo foi um dos  objetivos do encontro.

“O evento quer trazer o protagonismo aos estudantes indígenas para mostrar a faculdade como espaço e mecanismo de resistência. Nós [indígenas] sofremos muito com o preconceito e a invisibilidade, o que faz de um evento como esse ser de extrema importância. Temos que ocupar esses espaços”, disse Marcos Vesolosquzki, indígena Kaingang do Rio Grande do Sul e um dos organizadores do encontro.

Reforçar a união do movimento indígena do sul foi o lema do encontro. Outro ponto discutido foi a desunião entre os graduandos indígenas jovens e as lideranças mais velhas .  A influência do contato com não indígenas nas faculdades acaba criando cisões no movimento.

Também foram abordadas questões como o desenvolvimento de empreendimentos em áreas próximas às aldeias e o que isso traz de benefícios aos povos indígenas quando interesses empresariais entram nessas comunidades, o lugar da mulher e da juventude indígena dentro do movimento, os direitos e as perspectivas dos povos indígenas, além da demarcação das terras, um direito fundamental para a manutenção das tradições vivas.

Para celebrar o fim do evento, os indígenas e outros manifestantes apoiadores da causa, sob o som de protestos, chocalhos, portando arcos flecha, fecharam uma das vias de Porto Alegre com faixas requisitando seus direitos e seguiram até o Largo Zumbi dos Palmares, um ambiente conhecido por representar a luta negra, onde os indígenas se uniram a fim de lembrar seu compromisso com a natureza e seus direitos.

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