Oeste​ ​paulista​ ​em​ ​alerta​ ​contra​ ​os​ ​perigos​ ​do​ ​fracking

População participa de encontros informativos em diversos municípios e defende a proteção da região

 

Por Daiana Lopes

Representantes e voluntários da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – e da 350.org Brasil estão percorrendo cidades do oeste paulista, mais especificamente da região de Presidente Prudente, para alertar a população sobre os perigos da exploração não convencional de petróleo e gás pela técnica do fracking. Uma palestra de conscientização aberta à comunidade e representantes do poder público reuniu mais de 450 pessoas em Martinópolis na noite desta segunda-feira (13).

“Estamos buscando informar e conscientizar a população sobre a gravidade da ANP  ter feito leilões de blocos de exploração de gás, sem transparência, sem publicidade, sem consultar a população e e sem estudo de impacto”, afirma José Lira, coordenador estadual da COESUS,  especialista em direito ambiental.

Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, e coordenadora nacional da COESUS, e Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Brasil e fundador da COESUS, participaram do encontro e explicaram à população os riscos de contaminação do solo, do ar e, principalmente, da água pelo método do fraturamento hidráulico.

Martinópolis localiza-se sobre o Aquífero Guarani, o segundo mais importante da América Latina e uma das principais reservas subterrâneas de água doce do mundo.“Como mulher, me preocupo muito com a contaminação hormonal, os riscos de má formação de feto e abortos, causados por todas as substâncias tóxicas lançadas no ambiente pelo fracking. Não podemos permitir que nossa saúde e das gerações futuras sejam prejudicadas. Por isso, essa é uma campanha em defesa da vida”, afirmou Nicole Oliveira.

Proibição do fracking como meta

O procurador da República de Presidente Prudente, Luiz Roberto Gomes, e o procurador do município de Martinópolis, Dr. Galileu Marinho das Chagas vêm participando ativamente das ações coordenadas pela COESUS no oeste paulista. Nas palestras e encontros oferecidos à comunidade eles apresentam as ações jurídicas necessárias para o banimento do fracking na região.

“Podemos ter contato com a população local e explicar no caso do Ministério Público Federal as ações realizadas para proteger o meio ambiente”, relata Luiz Roberto Gomes. O procurador da República se refere à liminar, de 3 de outubro de 2017, que suspende a licitação dos blocos de exploração de gás de xisto na região e os contratos de concessão assinados com as empresas. Gomes explica, no entanto, que à decisão cabe recurso e por isso é essencial que os municípios criem suas próprias leis para impedir a prática.

O procurador de Martinópolis, Dr. Galileu Marinho,  enfatiza a importância de que todos os municípios da região atuem por meio da legislação municipal para proibir o fracking, uma vez que os danos causados pela atividade atingem um raio de até 80 km. “A região está totalmente sem informação. Foi a sétima palestra que realizamos para alertar a população sobre os perigos do fracking, e para incentivar os prefeitos e vereadores a criarem suas leis”, relata Marinho.

O projeto de lei municipal que impede as atividades de exploração não convencional de petróleo e gás foi apresentado pelo prefeito de Martinópolis em outubro e a expectativa, após a  sensibilização pública desta segunda-feira, é que a comunidade apoie a aprovação do projeto pela Câmara de Vereadores.

Nesta terça, a COESUS realiza novo encontro público na cidade de Álvares Machado e, na sexta, em Presidente Epitácio. O objetivo da coordenação estadual da COESUS é percorrer a região e conseguir a proibição do fracking nos 53 municípios da macro-região de Presidente Prudente.

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