Goioerê é mais um município paranaense livre do fracking

Após mobilização da sociedade e autoridades, prefeito sanciona lei contra o método não convencional de exploração de gás

Por Daiana Lopes

Goioerê é mais um município paranaense que diz não ao fracking. Após audiência pública realizada na última quinta-feira (9), que apresentou a moradores da cidade e região os perigos da exploração de gás de xisto pelo método do fraturamento hidráulico, o prefeito, Pedro Coelho, sancionou a lei municipal 2.515/2017, que impede esta forma de extração de petróleo e gás.

O vereador José Soares, que apresentou o projeto de lei, comemorou os resultados da audiência.  “Esperamos agora também o apoio dos prefeitos de municípios vizinhos, pois este é um assunto regional. É importante estarmos atentos para criar leis eficazes para nos protegermos de tais práticas que trazem prejuízos para a sociedade”, afirmou.

A audiência pública é parte das ações da campanha Não Fracking Brasil, coordenada pela COESUS Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – e pela 350.org Brasil e América Latina. O objetivo é levar informação à população, especialmente em áreas com potencial para exploração do gás de xisto. Goioerê é um dos 122 municípios do noroeste paranaense que teve o solo vendido durante a 13a Rodada de Licitações da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), em 2013.

“Reunimos hoje lideranças locais de Goioerê e de outras cidades do noroeste paranaense para discutir o fracking. Trata-se de uma região agrícola muito importante para o estado e estamos aqui para mostrar uma das formas de proteger a agricultura brasileira. O fracking contamina o solo, o subsolo, água e o ar – prejudicando a produção agrícola, os animais e a população”, explicou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, e coordenadora nacional da COESUS.

Estudantes, agricultores e servidores públicos da região lotaram o salão da Casa do Criador, no Centro de Exposições da cidade, para entender as ameaças da técnica utilizada para exploração não convencional de petróleo e gás. “A divulgação é o ponto base para levar informações sobre o fracking e depois de se entender que é algo nocivo, acredito que a população irá se unir para ajudar a proteger nosso ambiente”, defendeu o participante Ilzo Figueiredo Filho, estudante de licenciatura em física.

O município de Goioerê fica no oeste do Paraná e tem a agricultura como principal atividade econômica, em especial a produção de milho e soja.  “A curto prazo o fracking pode parecer algo bom, mas pensando nas gerações futuras seria praticamente o extermínio do nosso município. Em pouco tempo, a tendência é que essas áreas que são agricultáveis não produzam mais e, caso produzam, a produção contaminada não terá valor comercial bom”, afirmou o Secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos do município, Vilson Koiti Shono.

Também estiveram presentes na audiência o prefeito de Quarto Centenário, Reinaldo Krachinsk, o prefeito de Janiópolis Ismael José, o chefe do Núcleo Regional de Educação, Ademir Santana, o diretor da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Gilson Croscato, outros secretários municipais e o vereador Guilherme Dutra.

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