Municípios do noroeste paranaense participam de audiências públicas contra o fracking

Por Daiana Lopes

Equipes da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – e da 350.org Brasil estão na estrada para a realização de mais duas audiências públicas que reunirão municípios do noroeste paranaense para debater os impactos do fracking para a região. Na noite desta quinta-feira (9), o encontro será no Parque de Exposições do município de Goioerê, e na noite de sexta (10), na Casa de Cultura de Paiçandu.

As audiências levarão à população das cidades e municípios vizinhos informações a respeito da técnica não convencional do fraturamento hidráulico – ou fracking – para extração de hidrocarbonetos, principalmente o gás de xisto, além dos riscos ambientais e perigos para a saúde humana associados a esta forma de exploração devido à alta contaminação do solo, da água e do ar. Também será apresentada a proposta de legislação municipal – o PL 9.2 -, que impede atividades e licenças para exploração de gás através do fracking. Representantes de mais de 30 municípios foram convidados.

“Nosso objetivo é empoderar a população para que conheçam os perigos do fracking e não permitam hoje, e nem no futuro, a contaminação do nosso solo, ar e, principalmente, da  nossa água para exploração do gás de xisto. O povo deve cobrar do poder público a proibição e permanecer atenta”, afirma Suelita Röcker, coordenadora de engajamento da 350.org Brasil.

No dia 28 de setembro, a Câmara de Vereadores de Goioerê aprovou o projeto de lei de autoria do vereador José Joaquim Soares, que impede a prática do fracking em todo o território municipal. O prefeito, Pedro Coelho, se comprometeu a sancionar a lei nos próximos dias.

Em virtude das ameaças ambientais e à vida, muitos países já proibiram o fracking – como a Alemanha e a Escócia. No Brasil, não só não há legislação federal, como o governo e a indústria do petróleo e gás vêm somando esforços para impulsionar esta forma de exploração. No primeiro leilão de blocos  para exploração não convencional de petróleo e gás, realizado no final de 2013, a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP)  vendeu o subsolo de 122 cidades do Paraná sem consultar nenhuma autoridade ou a sociedade civil.

Campanha Não Fracking Brasil

Com o intuito de impedir a exploração pelo fracking e evitar danos ambientais irreversíveis, a COESUS realiza uma série de ações, incluindo audiências públicas em diversos estados brasileiros, a fim de conscientizar a população e os legisladores.  Hoje, mais de 370 municípios brasileiros já aprovaram projetos de lei que proíbem a prática.

A COESUS foi fundada em 2013 e é formada por ambientalistas, agricultores, pesquisadores, geólogos, hidrólogos, engenheiros, biólogos e gestores públicos. A coalizão é coordenada nacionalmente pela representação brasileira da 350.org, organização internacional de campanhas contra as mudanças climáticas.

O que é o fracking

O fraturamento hidráulico é uma técnica de exploração do gás metano aprisionado em rochas no subsolo. Para sua extração, milhões de litros de água, misturados com areia e mais de 700 produtos químicos contaminantes são injetados sob alta pressão, ‘fraturando’ a rocha. A vida média de cada poço é de um ano e meio a três e após o período de exploração resta tão somente um deserto radioativo irrecuperável.

O fluido tóxico liberado pelo método do fracking contamina lençóis freáticos, aquíferos e a superfície do solo, impedindo a produção de alimentos, a pesca, a agricultura, a indústria e o lazer. Somente parte do metano liberado pelo fracking é aproveitado. O restante pode tornar a água e o solo passíveis de incêndios e contaminar o ar.

O gás liberado também contribui para o aquecimento global e para as mudanças climáticas, o que põe em risco a sobrevivência de todas as formas de vida do planeta. Outro efeito do fracking é a ocorrência de terremotos, seja na fase de testes, pesquisa ou durante a exploração comercial.

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