Participantes da 7ª Virada Climática dizem não à exploração de combustíveis fósseis

 

 

Milhares de pessoas estiveram neste domingo (24) no Parque do Povo de Presidente Prudente (SP) para conversar sobre fracking e como podemos impedir a indústria fóssil de agravar o caso climático

 

Durante a 7ª Virada Climática da Primavera 2017, houve uma insatisfação generalizada diante da realização de novos leilões para exploração de petróleo e gá. Tanto que a maioria das pessoas que estiveram no Parque do Povo em Presidente Prudente neste domingo (24) fizessem uma manifestação coletiva contra a realização da 14ª Rodada de Licitações da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) programada para a próxima quarta-feira (27) no Rio de Janeiro. Para impedir que novos blocos sejam vendidos, a 350.org Brasil, COESUS e Fundação Internacional Arayara protocolaram uma denúncia junto aos Ministérios Públicos Federais em 13 estados pedindo o cancelamento da rodada.

 

 

Participantes da Virada Climática, indígenas da Tribo Krenak fazem oração ao rio Doce, à água e em defesa da vida no Parque do Povo.

 

O Parque do Povo é um local especial na cidade de Presidente Prudente, no oeste de São Paulo. Ali há um poço que retira água diretamente do Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo que abrange quatro países: Brasil, em sua maior parte, Argentina, Paraguai e Uruguai.

 

Por sua importância para o abastecimento humano, de animais e para toda a biodiversidade, o Aquífero Guarani está sob a ameaça da exploração do gás do folhelho pirobetuminoso, rocha de xisto que está abaixo do aquífero, pelo fraturamento hidráulico, ou fracking. Esse método não convencional para extrair da rocha é altamente poluente, pois utiliza um coquetel com mais de 720 substâncias químicas, muitas cancerígenas e até radioativas, para fraturar a rocha e liberar o metano (shale gas). Junto com os químicos, são usados milhões de litros de água misturados a toneladas de areia fina que em alta pressão são injetados no subsolo.

 

A partir daí o que já se sabe por estudos científicos publicados é que grande parte desse fluído permanecesse no subsolo e contamina as reservas subterrâneas. O que retorna à superfície é fonte de poluição e contaminação para o ar, para o solo, rios e córregos. O metano liberado por fraturamento hidráulico é um gás de efeito estufa 86 vezes mais danoso à atmosfera, agravando o aquecimento global e intensificando as mudanças climáticas.

 

Por isso o Parque do Povo foi escolhido como local da 7ª Virada Climática,oferecendo à população da região uma grande oportunidade para conhecer os riscos e a ameaça do fracking para esta importante reserva de água. A Virada Climática foi realizada pela 350.org Brasil, entidade que integra a COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – com o apoio da Prefeitura de Presidente Prudente através das secretarias de Turismo e de Meio Ambiente e parceiros da região.

 

#LeilãoFóssilNão

 

“Quando as pessoas são informadas da ameaça que é o gás da morte, elas imediatamente ficam abismadas e se posicionam contrárias à exploração. Portanto, a Virada Climática é um importante momento para conscientizar sobre a intervenção do homem na natureza que está sim provocando o aquecimento global e as mudanças climáticas”, destacou José Lira, advogado e coordenador estadual da COESUS no Estado de são Paulo.

 

Confira mais fotos da manifestação contra a realização da 14ª Rodada de Licitações da ANP na 7ª Virada Climática da Primavera 2017.

 

A região que compreende 54 cidades do Oeste paulista está na rota do fracking, inclusive com blocos já leiloados pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). “Estamos avançando na proibição em diversas cidades deste tipo de exploração não convencional através da mobilização de parlamentares, gestores públicos, movimentos ambientais, climáticos, religiosos e sociais”, completa Lira. No Brasil, mais de 350 cidades já proibiram a exploração do gás de xisto (shale gas), através da aprovação de um projeto de Lei disponibilizado pela COESUS.

 

“Com o planeta em alerta, milhões em todo o mundo já estão sendo impactados pelas mudanças climáticas que provocam tempestades e furacões cada vez mais devastadores e mortais, alteram o regime das chuvas com enchentes e secas mais prolongadas, provocam o derretimento das geleiras e o consequente aumento do nível do mar e da sua temperatura, entre outros eventos radicais do clima”, explica Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina.

 

Segundo Nicole, tudo está relacionado diretamente com a exploração dos combustíveis fósseis: “Não podemos mais permitir que o governo brasileiro, através da ANP, ignore a vontade da população que diz não aos leilões e exige investimentos em energias renováveis para contermos o caso climático”.

 

Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil

 

 

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