Grupo de trabalho da CNBB debate ações para informar sobre impactos da mineração

 

 

Inspiradas pela Laudato Si, a Encíclica Verde do Papa Francisco que completa dois anos, lideranças religiosas pretendem informar sobre os riscos do fracking, das mudanças climáticas e a importância do desinvestimento dos combustíveis fósseis

 

O coordenador de Desinvestimento da 350.org Brasil, Reginaldo Urbano Argentino, participou em Brasília da primeira reunião do Grupo de Trabalho da Mineração da CNBB – Conferência Nacional do Bispos do Brasil. Reginaldo, que também é presidente da Cáritas Paraná, foi nomeado junto com o Bispo da Diocese de Umuarama, Frei João Mamede Filho, para integrar o grupo e municiar com informações sobre a campanha do Desinvestimento dos combustíveis fósseis, o combate ao fracking e como conter às mudanças climáticas.

Primeira reunião do GT da Mineração da CNBB coordenado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora.

Reginaldo integra a COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida, que realiza desde 2013 a campanha contra a exploração do gás de xisto por fraturamento hidráulico, atividade minerária também conhecida por fracking. O método não convencional é altamente poluente, responsável por contaminar as reservas de água de superfície e aquíferos, causar severos danos à saúde das pessoas e animais e eliminar a biodiversidade.

“A CNBB, que representa toda Igreja Católica do Brasil, está alertando a população para a intransigência e irresponsabilidade do governo e das corporações internacionais na exploração dos recursos naturais, que são um bem patrimonial de todos”, explicou Reginaldo. A proposta do grupo de trabalho é expressar a não concordância com os projetos que priorizam as energias fósseis – petróleo, gás e carvão – através do extrativismo minerário. “Vamos propor uma ampla reflexão e viabilizar ações em parceria com grupos da sociedade civil organizada, pastorais e movimentos dentro da proposta do Conselho Permanente de Pastoral”, completa.

 

Reginaldo Urbano Argentino (à direita) se encontra ainda e com Dom Leonardo Steiner, Secretário Geral da CNBB, para as primeiras tratativas sobre o GT da Mineração.

 

O Grupo de Trabalho da Mineração é articulado pelo Frei Olávio Dotto, coordenador das Pastorais Sociais. Entre os encaminhamentos estão a produção de materiais, elaboração de subsídios para CNBB orientar toda Igreja do Brasil sobre os assuntos correlatos à exploração dos recursos naturais, com ênfase nos hidrocarbonetos.

“Vamos formular uma linha de ação com outros grupos e pastorais e viabilizar o Fórum Alternativo das Águas 2018 para debater a proteção das reservas de água que são severamente e irreversivelmente impactadas pelo extrativismo”, adiantou Reginaldo.

No âmbito do grupo de trabalho, a campanha pelo desinvestimento dos combustíveis fósseis desenvolvida pela 350.org Brasil e COESUS também entra no planejamento, assim como o combate ao fracking. “São temas que estão sendo debatidos em todo o mundo, num momento em que as mudanças climáticas se intensificam e impactam diretamente as populações mais vulneráveis. Essa é a nossa missão, enquanto Igreja Cristã, diante dos ensinamentos da Laudato Si para cuidarmos da Casa Comum”, enfatizou.

Para Reginaldo, “os combustíveis fósseis pertencem à era dos dinossauros. Precisamos de um verdadeiro desinvestimento do capital neoliberal para uma outra ótica que opte por uma economia solidária, sustentável e do Bem Viver fazendo uma transição energética viável a partir das energias renováveis”.

Com o apoio de Frei João Mamede Filho, a Diocese de Umuarama é a primeira Diocese de baixo carbono da América Latina a anunciar a adesão à campanha pelo desinvestimento.

 

II Congresso Internacional Laudato Si & Grandes Cidades, no Rio de Janeiro, debate e propõe um planeta sustentável de convivência respeitosa entre o homem e os outros seres na mesma Casa Comum. No centro, Cardeal Dom Sérgio da Rocha, ladeado por Maria Neira, Diretora do departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da Organização Mundial de Saúde, vinda da Suíça, e Pedro Oyola, Diretor Geral do Centro Mário Molina de Santiago no Chile.

 

 

 

 

 

Por Silvia Calciolari

Foto: COESUS/350Brasil

 

 

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