Sensatez vence e Andirá diz não ao fracking

Com apenas um voto contrário, Câmara de Vereadores aprova em primeira instância projeto de lei que proíbe entrada do fraturamento hidráulico no município

Com 21 mil habitantes, em sua maioria pequenos e médios produtores rurais, município de Andirá aprova proibição ao fracking (Foto: Reprodução Internet).

O município de Andirá, localizado no Norte Pioneiro do Paraná, deu o primeiro passo para proteger sua população e seu território dos males do fracking. Na noite desta segunda-feira (17), a Câmara Municipal aprovou em primeira votação, com apenas um voto contrário, o PL 81/2017, que proíbe atividades relacionadas ao fraturamento hidráulico, incluindo a fase de pesquisas sísmicas. A cidade de 274 km2 abriga cerca de 21 mil pessoas e vive principalmente da agricultura e do turismo, que seriam fortemente afetados pela indústria do fracking.

Para a prefeita Ione Elizabeth Alves, que enviou o projeto para apreciação dos vereadores, a lei garante prosperidade à região. “Essa é a região mais fértil do Estado do Paraná e uma das mais férteis do Brasil. Nossa terra é muito valorizada. Temos uma maioria de propriedades médias e pequenas, que vivem da agricultura. Eu mesma sou produtora rural, e por isso nosso receio com relação ao fracking é tão grande. Temos medo de comprometer nosso solo e nossa água para todo sempre”, afirmou.

Ela lembrou que a técnica do fraturamento hidráulico também pode impactar o turismo, outra atividade importante para o município e todo o Norte Pioneiro. “Andirá está sendo cotada para participar do Programa Angra Doce, que quer transformar a região em um polo turístico. O projeto é voltado para a sustentabilidade, para as águas e as terras, além de ser patrocinado pela ONU, então é regido por regras rígidas que envolvem a qualidade dos recursos naturais. Qualidade essa que o fracking poderia colocar em risco permanentemente”, frisou Ione.

O município faz parte da microrregião de Cornélio Procópio, cidade que também já está protegida contra o fracking. Conquistas como essa são fruto das articulações e mobilizações realizadas no âmbito da campanha Não Fracking Brasil, encampada pela 350.org Brasil e pela COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

“Estamos avançando em todo o Estado e também em outras regiões do país. Andirá se junta hoje às mais de 350 cidades brasileiras que já estão livres do fracking. Essa vitória é das autoridades, que perceberam a importância da proibição e optaram por defender sua cidade, mas também, e principalmente, de toda a população, que agora pode dormir tranquila sem a ameaça de terremotos, poluição e contaminação, sem falar no agravamento do aquecimento global decorrente do fraturamento hidráulico”, declarou Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Brasil e fundador da COESUS.

Silvia Flores, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Andirá (Acead), afirmou que a aprovação da lei foi muito importante para o desenvolvimento futuro do município. “Somos um município agrícola, e o fracking impactaria diretamente nossas terras, o que traria prejuízos a todos a longo prazo, não somente ao comércio local. A presença e o apoio da 350.org e da COESUS, na figura da Izabel Marson, foi fundamental, pois eles trouxeram os esclarecimentos necessários sobre os riscos dessa atividade. Foi aí que a associação ergueu a bandeira, pois temos trabalhado com projetos de turismo, que seriam diretamente impactados pela não aprovação da lei.”

Ela destacou ainda que o entendimento entre a sociedade e os diversos níveis de governo foi muito positivo. “A prefeita Ione entendeu a necessidade dessa lei e o posicionamento da Câmara de Vereadores foi totalmente favorável. Dessa forma, garantimos o desenvolvimento futuro do município. Melhor do que daqui a 5, 10 anos termos a presença de uma mineradora em nossas terras, acabando com nossas áreas de produção, e não termos mais como crescer”, completou.

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