Crise climática e injustiça social: duas facetas do mesmo problema

Leonardo Boff e Adolfo Pérez Esquivel participam de debate aberto em Buenos Aires

 

 

O teólogo e intelectual brasileiro, Leonardo Boff, há muitos anos chama a atenção para este problema dramático enfrentado pela humanidade: a crise ambiental e as suas consequências sociais. Boff está difundindo o trabalho levado adiante pelo Papa Francisco na sua encíclica Laudato Si’, falando de problemas como o aquecimento global, a necessidade de desenvolver uma ecologia integral e de trabalhar juntos para alcançarmos um mundo sustentável. O acesso à água, à terra e ao ar limpos, os cuidados com nossos recursos estratégicos, como o Aquífero Guarani, a Antártida e a Amazônia também fazem parte dessa discussão.

Boff sintetizou todas estas questões em seu novo livro “Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres”, que irá apresentar na Feira do Livro da capital argentina e discutir em uma Aula Magna na Universidade de Buenos Aires. O evento, que tem como objetivo pensar coletivamente sobre alternativas para resolver os desafios da América Latina, será realizado na quinta-feira, 11 de maio, na Faculdade de Medicina.

 

Boff: “(…) há também a injustiça ambiental, que é a violência contra o meio ambiente, contra o ar, contra a camada de ozônio, contra a água. Estas injustiças afetam indiretamente, mas perversamente, a vida humana, resultando em doenças, desnutrição e morte. Não só na biosfera, mas no mundo inteiro”.

 

As mudanças climáticas produzem secas, inundações, insegurança alimentar e aumento da incidência de doenças tropicais, afetando mais intensamente as pessoas e regiões que menos contribuíram para agravar a situação que enfrentamos hoje.

A crise climática é o resultado da queima de combustíveis fósseis e da exploração irracional dos recursos ambientais, realizada principalmente pelos países do norte ricos. O modelo econômico profundamente desigual que prevalece não só gera tensões locais e nacionais, mas também é um problema que precisa ser tratado globalmente: para resolver a crise climática e ambiental, a participação de todos e a ação efetiva por parte dos governos de todo o mundo é necessária.

A América Latina tem sido vítima de efeitos evidentes das mudanças climáticas, como as inundações devastadoras que aconteceram recentemente na Argentina e no Chile, e que demonstram a necessidade urgente de uma mudança de paradigma.

Outros grandes intelectuais também estão preocupados com a necessidade de proteger o planeta. O prêmio Nobel da Paz argentino, Adolfo Pérez Esquivel, declarou recentemente o seu apoio à campanha global de desinvestimento dos combustíveis fósseis. Para ele, a questão da crise climática está fortemente ligada à justiça social, uma vez que centenas de pessoas ao redor do mundo são forçadas a deixar suas casas todos os dias por causa de eventos climáticos extremos. De acordo com estimativas da Agência para os Refugiados das Nações Unidas, mais de 21 milhões de pessoas a cada ano entram na categoria de “refugiados climáticos”.

Além de Leonardo Boff e Adolfo Pérez Esquivel, o evento programado para o dia 11 de maio também terá a participação de Nicole Oliveira, diretora da 350.org América Latina, Juan Pablo Olsson, coordenador de campanhas climáticas da 350.org na Argentina. O evento é organizado pela 350.org, pela Cátedra Livre de Saúde e Direitos Humanos da Faculdade de Medicina e pela Editora Santa Maria, e faz parte da Mobilização Global pelo Desinvestimento.

Para mais informações sobre a conferência ou outros momentos da visita de Leonardo Boff à Argentina, acesse o evento Facebook clicando aqui ou escreva para argentina@350.org.

 

Por: Juam Pablo Olsson

Fonte: Go Fossil Free Brasil

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