Temor de novos prejuízos faz cidades do Norte Pioneiro do Paraná proibirem o fracking

 

 

Há mais de um ano moradores contabilizam os prejuízos causados nas edificações pelos caminhões vibradores que passaram na região induzindo terremotos

 

A passagem pela região Norte Pioneiro do Paraná do comboio de caminhões vibradores contratados pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) para prospectar petróleo e gás ainda permanece na memória dos paranaenses. Na memória e no bolso, já que mais de um ano após a realização dos testes para aquisição sísmica, quando são induzidos terremotos para verificar a composição geológica do subsolo, nenhum morador foi ressarcido. Centenas de residências na região apresentaram rachaduras, das quais dezenas tiveram danos que comprometem a sua utilização.

 

Audiência pública reuniu na Câmara Municipal moradores interessados em conhecer os riscos e perigos do fracking.

 

A vereadora de Nova Fátima, Claudete Foganhole de Oliveira, teve a casa seriamente danificada, inclusive com o aparecimento de trincas horizontais e verticais após a realização dos testes para aquisição sísmica promovidos pela ANP. “Quando os caminhões passaram na cidade, até virou atração turística. Não se sabia nada do que eles estavam fazendo, além da versão de que estavam procurando petróleo”, relembra Claudete.

Vereadora Claudete F. Oliveira

Na verdade, os testes sísmicos são a primeira etapa do processo para mapear o subsolo e verificar a existência de reservas de gás do folhelho de xisto. Para isso, terremotos induzidos de 1,9 a 3 graus na Escala Richter, provocam onda que são captadas por sensores que fazem a “leitura’. Tais testes, também chamados de pesquisa sísmica são tão nocivos para a biodiversidade e para as pessoas quanto o próprio fraturamento hidráulico (fracking), tecnologia usada para extrair do gás de xisto.

“Agora, eu não posso usar minha varanda e nem estacionar o carro. Amanhã eu posso não estar morando aqui”, lamenta a vereadora. Preocupada com possíveis impactos causados pelo fracking, Claudete está articulando junto com outros vereadores e a prefeitura um projeto de Lei que proíbe operações para exploração do gás de xisto na cidade.

 

União de esforços

Para a professora Izabel Marson, voluntária da campanha Não Fracking Brasil desenvolvida desde 2013 para impedir que a exploração do gás de xisto aconteça no país, “Norte do Paraná e Norte pioneiro já somam mais de 40 cidades dizendo não à exploração do xisto. Somamos centenas de vereadores e dezenas de prefeitos no que consideramos ser a maior ação regional em favor do meio ambiente”.

Na semana passada, uma audiência pública realizada em Cambará reuniu na Câmara Municipal gestores, parlamentares e lideranças de diversos segmentos para barrar o fracking. “Foi um bom momento para informar a sociedade civil sobre a ameaça da mineradora à região. Entendemos que o prefeito e vereadores estão corretos no empenho a respeito da proposição e sanção do projeto de Lei. Cambará, como cidade que faz fronteira com o Estado São Paulo, tem papel importante na proteção das demais cidades do Paraná”. Assim como em outras centenas de cidades, também em Cambará o banimento do fracking tem o apoio tanto do Executivo quanto do Legislativo.

 

A professora Geovana segura cartaz durante a audiência pública, acompanha de alunos do Colégio Dr. Generoso Marques.

A professora Geovana Maria Pereira, do Colégio Dr. Generoso Marques, participou da audiência junto com os alunos, que antes fizeram um amplo trabalho de pesquisa e discussão dos impactos do fracking.

“De sala em sala no ensino médio do colégio fomos passando slides e vídeos. Os alunos todos se mostraram descontentes com este tipo de exploração e colocaram – se à disposição para ir à Câmara Municipal”, disse a professora. No final, ela e os alunos manifestaram contentamento com o posicionamento dos vereadores: “Vamos continuar a acompanhar e intermediar novas ações para a preservação da vida e contra o fracking”.

 

Novas votações

No mesmo período, vereadores e vereadoras da Câmara Municipal de Ibaiti apresentaram o projeto de Lei sugerido pela COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida e que está disponível no site www.naofrackingbrasil.com.br .

Segundo Patrícia Watfe, voluntária da COESUS, “com esta indicação e a sua aprovação acredita-se que o Executivo irá acolher o projeto que tem como objetivo primordial proteger a cidade e a população da contaminação causada por essa atividade minerária”.Para esta semana acontecem votações em Nova América  da Colina, Santo Antonio do Paraíso, Jaboti e Conselheiro Mairinck, ampliando ainda mais o rol de cidades que estão dizendo não ao fracking.

 

Assista depoimento da Vereadora Claudete Foganhole de Oliveira que fala dos prejuízos causados pelos testes sísmicos em sua residência. 

 

 

Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil

 

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