Diante de nova ameaça do Fracking, Toledo se mobiliza para impedir testes da ANP

 

Lideranças políticas, entidades e moradores da cidade localizada na região Oeste do Paraná não querem correr riscos com a contaminação provocada pela extração do gás de xisto

 

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Caminhões vibradores da Global Services, empresa americana contratada pela ANP, que está realizando os testes para realizar aquisição sísmica no Paraná.

 

Mais uma vez, Toledo está mobilizada para impedir que o fraturamento hidráulico, tecnologia altamente poluente para extração de gás de xisto conhecida como Fracking, aconteça na cidade. Prefeito, vereadores, lideranças políticas, religiosas, ambientais e climáticas, sindicatos de produtores rurais e de trabalhadores, empresários e toda a comunidade já foram às ruas diversas vezes para protestar e firmar posição contra o fraturamento hidráulico.

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Em reunião na prefeitura com o presidente da Câmara, Ademar Dorfschmidt, da qual participou o deputado estadual Admir Bier, Beto Lunitti assinou a Mensagem 125/2016 que impede a realização de testes para aquisição sísmica. Foto: Prefeitura Municipal de Toledo

Mesmo sendo uma das primeiras cidades brasileiras a aprovar uma Lei municipal para proibir operações de Fracking, Toledo se vê agora diante de uma nova ameaça. A presença dos caminhões vibradores contratados pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) para aquisição sísmica na região Oeste assustou a população e reacendeu o temor de que os riscos e perigos do fraturamento hidráulico coloquem em perigo a produção agrícola, de suínos e aves para corte, as reservas de água e a saúde das famílias.

Para evitar o pior, o prefeito Beto Lunitti encaminhou à Câmara de Vereadores na tarde desta sexta-feira, 9, um novo projeto de Lei, mais abrangente que o original, para proibir também os testes da ANP. “Será mais uma ferramenta contra o Fracking, que somada à Lei municipal irá proteger definitivamente a nossa gente e nossa cidade desta devastadora tecnologia”, afirmou Lunitti.

 

O objetivo é ampliar a legislação, que proíbe a emissão de alvará para empresas de Fracking, o tráfego de caminhões com produtos químicos usados para o Fracking, a queima de gases decorrentes da extração e, por fim, os testes sísmicos. Pela urgência, a expectativa é que na próxima semana a nova legislação seja aprovada antes do recesso.

“Somos uma região de pequenas e médias propriedades rurais, com excelente produtividade, que seriam drasticamente impactadas pelo Fracking, que traz severos riscos ao meio ambiente e à saúde humana e animal. Sem contar que os valores gerados em nossa região pela produção agropecuária e pelo agronegócio nos colocam em patamares altamente favoráveis, não se fazendo necessária essa exploração em nossa cidade”, assegurou Tika Zilmer, engenheira agrônoma e voluntária da campanha Não Fracking Brasil.

 

Impactos dos testes

Segundo Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida, “os testes feitos pelos caminhões vibradores geram uma série de tremores, terremotos induzidos, que embora de baixa magnitude, provocam rachaduras em edificações”.captura-de-tela-2015-09-17-as-10-39-41

Ele lembra que em dezembro do ano passado, os mesmos testes foram realizados na região de Londrina, provocando inúmeros prejuízos em casas nas cidades de Arapongas e Cambé e assustando os moradores de várias cidades da região Norte.

O fundador da COESUS alerta que o período médio de pesquisa é de 7 a 10 anos e permite perfurações para testes, que em alguns Estados chegam a 300 poços. “É quando se dá a contaminação química e radioativa, pois a diferença básica da pesquisa e produção comercial é que o produto final não é comercializado”.

Fraturamento hidráulico, ou Fracking, é a tecnologia que injeta no subsolo milhões de litros de água misturados a toneladas de areia e um coquetel com 720 substâncias químicas tóxicas, muitas delas cancerígenas e até radioativas., para fraturar a rocha e liberar o gás. Parte desse coquetel permanece no subsolo e chega aos aquíferos. A outra parte retorna à superfície e contamina rios, o solo e o ar, provocando doenças como câncer nas pessoas e eliminando a biodiversidade.

 

 

Mobilização popular

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População de Toledo nas ruas protestando contra o Fracking.

No final de 2013, a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) vendeu blocos para a exploração de gás de xisto em 372 cidades Brasil, sendo 122 somente no Paraná. O leilão do subsolo foi realizado sem o conhecimento dos prefeitos, vereadores, lideranças políticas, religiosas e do setor produtivo, bem como sindicatos rurais e de trabalhadores, academia e entidades ambientais, climáticas e sociais.

Ainda em 2013, foi realizada na Câmara dos Vereadores de Toledo a primeira audiência pública, e passados 3 anos, a população continua engajada. O sucesso e a legitimidade da mobilização em Toledo originaram a Carta do Oeste do Paraná, que faz um resgate histórico das primeiras reuniões e audiências públicas realizadas pela COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – na região, que resultaram na aprovação de leis municipais que proíbem a exploração do gás de xisto através do fraturamento hidráulico. O documento serve de parâmetro para que outras cidades também promovam o banimento da tecnologia minerária. Atualmente, aproximadamente 200 cidades brasileiras já proibiram o Fracking no Brasil.

 

 

Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil

 

 

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5 Comments

  1. Parabéns ao Prefeito Beto Lunitti, Deputado Estadual Ademir Bier, ao Presidente da Câmara de Vereadores Ademar Dorfschmidt, lideranças políticas, religiosas, ambientais e climáticas, sindicatos de produtores rurais e de trabalhadores, empresários e toda a comunidade pela iniciativa em mobilizarem-se para inviabilizar a realização dos testes para realizar aquisição sísmica e, posteriormente a extração do gás xisto.

    Vamos SIM dizer NÃO ao FRACKING em TOLEDO/PR e, também em todos demais estados do BRASIL.

    Parabéns

  2. Sou o Hidrogeologo Bosco Morais,
    Preciso saber se a ANP autorizou empresas a pesquisar petroleo, pelo metodo Fracking, em terras Cearenses,
    Quais municipios? Numeros dos processos?
    Tempo de pesquisa?
    Denominacao das empresas?
    Respeitosamente

    Bosco Morais
    Dr. Em Hidrogeologia / UFPE

    • Prezado Bosco: Obrigada pelo contato. O Ceará está na rota do Fracking. Veja no site a aba Áreas de Risco e saiba em detalhes as cidades impactadas. Felizmente, Aracati já aprovou projeto de lei que proíbe operações para extração do gás de xisto e há uma liminar obtida pelo Ministério Público Federal que suspende os efeitos da 12ª Rodada de Licitações. Por favor, encaminhe suas dúvidas e demandas para imprensa@naofrackingbrasil.com.br para mantermos contato e informá-lo com mais detalhes. Silvia Calciolari

  3. Pingback: COESUS defende veto ao Artigo 3º do PL que suspende Fracking por 10 anos no Paraná | Não Fracking Brasil

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