População se assusta com testes da ANP e se mobiliza contra o FRACKING

 

Neste sábado, 10, moradores de diversas cidades próximas a Cornélio Procópio se reúnem para impedir que o gás de xisto seja explorado na região.

 

A população das cidades da região de Cornélio Procópio, Norte Pioneiro de Paraná, está assustada. A passagem dos caminhões vibradores para testes de aquisição sísmica contratados pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) na região deixou um rastro de medo, prejuízo e muitas dúvidas. Afinal, o que o comboio de caminhões com funcionários batendo estacas na principal rodovia da região, a BR 369, e provocando tremores estaria fazendo?

O que se sabe é que o resultado desses testes são diversas casas com rachaduras na estrutura, muito barulho dos equipamentos e até um cheiro forte de gás no entorno dos locais onde os testes foram feitos.

 

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“É sempre assim! Os técnicos e os pesados caminhões chegam de forma quase clandestina, sem explicar à população os objetivos dos testes e os riscos futuros: Adquirir informações sísmicas da existência de hidrocarbonetos no subsolo para viabilizar futuros leilões e a sua consequente exploração e explotação por fraturamento hidráulico. E para piorar, descumprem a legislação ambiental por ser atividade que gera danos a estruturas físicas de casas, prédios públicos, pontes, bem como pode gerar acomodações geológicas que podem ser danosas ao meio ambiente e à população”, explica Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

Os caminhões vibradores contratados pela ANP estão percorrendo as regiões Norte e Norte Pioneiro do Paraná e Sudoeste de São Paulo para adquirir informações geológicas e verificar a existência de gás, petróleo, carvão, betume, metano, xisto e outros hidrocarbonetos.

Essas informações irão fundamentar a exploração e explotação de hidrocarbonetos na bacia sedimentar do Paraná por Fracking, método altamente danosos à agricultura, pecuária, ecossistemas e impedir o seguro abastecimento público.

 

 

Mobilização para banir o Fracking

 

Neste sábado, 10, na sede do Sindicato dos Bancários em Cornélio Procópio, a partir das 17h30, acontecerá uma reunião com ambientalistas, lideranças políticas e religiosas para discutir estratégias para mobilizar a população para banir o Fracking.

O representante da COESUS e campaigner da 350.org Brasil, Reginaldo Urbano Argentino, participará da reunião e falará sobre os riscos e perigos do fraturamento hidráulico e da importância de se aprovar uma legislação municipal que impeça a exploração do gás da morte.

FRACKING é o método não convencional utilizado para a extração do petróleo e gás de xisto. Milhões de litros de água são injetados no subsolo a altíssima pressão misturados com areia e um coquetel de mais de 720 substâncias químicas, muitas delas cancerígenas e radioativas. Além dos impactos ambientais, contaminação das reservas de água, poluição do ar e provocar câncer nas pessoas e animais, a tecnologia também está associada a terremotos.

Para extrair o metano são feitas fortíssimas explosões na rocha do folhelho pirobetuminoso de xisto, provocando a instabilidade do solo. Em regiões onde há uma propensão natural a atividades sísmicas, os abalos são potencializados.

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Em Nova Fátima, município próximo a Cornélio Procópio, várias casas apresentaram rachaduras após a realização dos testes para aquisição sísmica.

Em novembro do ano passado, testes similares na região de Londrina provocaram tremores de até 1,9 graus na Escala Richter, danificando centenas de residências em Rolândia e Arapongas.

 

 

 

 

 

 

Por Silvia Calciolari

Fotos: Izabel Marson gentilmente cedidas à COESUS/350Brasil

 

 

 

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